quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Conto de Natal

- Então, gostaste da imagem que escolhi para pôr no blogue na véspera de Natal?
- Nem por isso...

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

A Península Ibérica em números

Já está disponível o exercício de masoquismo anual publicado pelo INE.

Por comparação

Os membros do governo japonês andam a discutir a existência de ovnis e a capacidade de reacção das forças de defesa em caso de contacto directo. Isto quase faz parecer a política portuguesa um cenário razoável e equilibrado.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Wittgenstein’s Wienna

O Terapia Metatísica anunciou o seu fim. Ando há uns dias para alinhar umas palavras sobre o blogue escrito pela Filigraana sem conseguir resumir as ideias em forma de post. Até hoje. O Terapia Metatísica é um daqueles blogues que dá vontade de escrever blogues.

Diz-me com quem andas

Carla Bruna, uma mulher do Mal?

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Interesses

Na interessante troca de comentários (as usual) sobre prostituição no Quase em Português, o MS-S questiona-se sobre a alienação no trabalho. Primeiro, "a desvalorização do trabalho como uma actividade com valor intrínseco e a elevação da remuneração e da questão económica a valor determinante da organização da sociedade" é um facto. Mas a desvalorização do trabalho também tem muito que ver com a valorização do tempo livre, do lazer, que também é uma consequência da modernidade e das suas formas de organização da sociedade, a par do individualismo e do primado da economia.
As pessoas de hoje em dia são cada vez mais diferentes entre si. As realidades difusas da globalização e da sociedade de massas confundem, mas a tendência é para que os interesses de cada um de nós sejam cada vez mais individuais e menos de grupo.
Não só tem aumentado o leque das ofertas, como as possibilidades de lhes aceder. As combinações, assim, são infinitas. Os mil e um fóruns na net sobre tudo e mais alguma coisa são disso um bom exemplo.
Mas, sendo que todos precisamos de uma forma de sustento, e nem toda a gente tem a sorte de poder ser extremamente exigente no mercado de trabalho, é muito compreensível que exista um desfasamento. Obviamente, esta separação ou alienação do trabalhador deriva de determinadas condições, às quais eu mais facilmente chamaria sociais do que históricas. Independentemente disso, o que é preciso ter presente quando se pensa estas questões é que a alteração das condições acarreta igualmente a mudança das cargas simbólicas que atribuímos aos objectos, às actividades, às acções e a tudo o que nos rodeia - e vice-versa.
Investir afectivamente no trabalho e considerá-lo um valor maior da nossa vida, quando comparado com outros, já terá sido algo mais popular. Mas, por exemplo, os antigos gregos achavam que o trabalho era uma forma de servidão inaceitável para um homem de bem. Preferiam muitas vezes a penúria e a fome a terem de se sujeitar a trabalhar para outros, perdendo a sua liberdade, a sua senhoria de si mesmos.
Mesmo a propósito, o MP-S fala numa "relação individual e privada". O termo privado, que agora tem uma conotação positiva, tinha o sentido inverso para os antigos gregos, para quem o que dizia respeito a cada um – a casa, a família e o sustento – era privado precisamente porque privava o indivíduo da participação no que era comum a todos – a coisa pública, os assuntos da cidade, a política.
O divórcio entre o que as pessoas são e aquilo que fazem não é forçosamente negativo. Especialmente, se se relacionar com uma maior vontade de evoluir e diversificar o leque de interesses e com uma maior atenção ao indivíduo e às suas relações próximas. A importância que se dá a uma actividade talvez não seja aquilo em que nos devemos focar. O principal interesse do ser humano deve ser por si mesmo e pelos seus semelhantes. O resto, se vier em segundo plano, não vem mal.

Tabaco

A duas semanas da entrada em vigor da nova lei do tabaco, ainda há quem continue a pretender fazer crer que esta é uma medida que tem como alvo os fumadores, quando se trata precisamente do contrário. Os principais visados são os não fumadores, cujo direito a não serem intoxicados por terceiros parece escapar a tanta gente.

Carnaval da Madeira

Alberto João Jardim processou Baptista Bastos por alegada ofensa à honra.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Não é um Big Brother, é um Grand Frère

Chama-se Acordo Olivennes e parte das entidades que representam os criadores de conteúdos: para combater a pirataria, os fornecedores de acesso à Internet devem vigiar o tráfego dos seus clientes a fim de detectar casos suspeitos. Segundo o Público, Paulo Santos, da Federação de Editores de Videogramas, “considera a ideia «brilhante» e desvaloriza as críticas dos que dizem que vigiar o uso da Internet é um atentado às liberdades individuais”. Porém, basicamente, trata-se de uma medida que é parecida com pedir aos fabricantes de cassetes dos anos 80 que se comprometessem a colocar câmaras de vídeo aos ombros dos seus compradores para assegurarem que nenhum deles utilizava os seus produtos para piratear conteúdos.
Já conhecíamos a deriva securitária como ameaça à liberdade e à privacidade de cada um. Temos agora os interesses comerciais dos criadores de conteúdos e dos revendedores como uma nova desculpa para controlar o que fazemos.
Ninguém contesta o direito dos autores receberem pelas suas criações, nem ninguém contesta que a revenda é uma actividade económica perfeitamente legítima. Mas seria interessante que alguém se desse ao trabalho de perceber por que é que a pirataria de conteúdos tem a dimensão que tem. Por que é que tantas pessoas preferem o download ao original. Porque talvez seja uma questão que, não sendo indiferente ao problema dos preços, se prenda mais com a questão do valor. Sobretudo, seria muito positivo que a indústria de conteúdos percebesse que atacar a privacidade do indivíduo para proteger os seus interesses comerciais é um caminho inaceitável e que os governos não se dispusessem a patrocinar estes exageros.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

O medo ao serviço da política

O populismo tem destas coisas. Mal surge uma oportunidade, encarrega-se de cavalgá-la a toda a sela, sem olhar a nada. Os assassinatos envolvendo pessoas ligadas a estabelecimentos nocturnos são a mais recente oportunidade. O PSD de Luís Filipe Menezes entreviu nesses crimes uma forma de atacar o governo e assacou-lhe responsabilidades. Se algum dia Menezes for governo – e, desde que Santana Lopes ocupou São Bento, qualquer um lá pode chegar –, perante casos semelhantes, não hesitará um segundo em deixar a responsabilidade dos crimes unicamente com quem os pratica. Aliás, a direita populista do PSD e do PP treme de indignação de cada vez que alguém tenta explicar que a criminalidade tem uma envolvente social. Para eles, a criminalidade é um conceito circular, que se explica e se esgota em si mesmo.
A solução, diz o PSD, passa por mais policiamento. Talvez um polícia à porta de cada discoteca, de cada bar e de cada casa de strip.
Tanto no diagnóstico como na solução avançada se percebe a falta de outra perspectiva que não seja a de capitalizar a insegurança como trunfo político. Os assassinatos dos últimos meses estão ligados a uma criminalidade altamente organizada. Exactamente o tipo de criminalidade que se combate menos com policiamento de proximidade e mais com investimento na investigação e no combate à corrupção e ao branqueamento de capitais. Tudo coisas bastante mais difíceis de concretizar e de atrair atenção imediata.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Um espelho

Para opinar sobre o folhetim mexicano que aconteceu no blogue da Atlântico era preciso ter lido bastante mais do que me dispus a fazer. Limitei-me a seguir a ligação para o post de despedida do Tiago Mendes e a acompanhar as reflexões dos bloguistas que já costumo visitar diariamente. Entre estes, talvez o que se tem dedicado mais ao tema seja o João Pinto e Castro, equacionando sobretudo o silêncio e a fuga ao âmago das questões que o Tiago Mendes levantou por parte dos seus colegas de blogue e de alguma direita bloguista.
O silêncio e a fuga mais ou menos descarada à discussão, apontando baterias ao estilo e não ao conteúdo, se têm como propósito o não posicionamento, falham miseravelmente. Como já alguém salientou, não tomar uma posição, neste caso, equivale mesmo a tomar uma posição.
Especulando um bocado, esta opção talvez se prenda menos com pressupostos ideológicos do que com uma outra característica muito vincada entre nós e que é a de muito dificilmente se resistir à extrapolação dos laços naturais da esfera da amizade para a esfera pública. Este fenómeno tem bastante notoriedade no campo político, no qual determinadas personalidades se fazem acompanhar, durante toda a carreira e qualquer que seja o cargo desempenhado, do seu círculo de confiança.
Mas não se confunda o que é notório com o que é exclusivo. Pelo contrário, estamos perante uma faceta mais comum do que seria de desejar. Sempre que é preciso tomar uma decisão de recursos humanos, o elo mais fraco raramente é o menos competente, mas antes aquele com quem se priva menos, aquele com quem se partilha menos afinidades pessoais. Não se trata de uma pecha da direita ou da esquerda. Trata-se de um traço cultural que transcende a geografia, a ideologia, a classe e a actividade. Desengane-se quem pensa que os blogues são algo mais do que o espelho da sociedade em que se inserem.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Um passo

A maioria dos portugueses é favorável à legalização da prostituição, revela o barómetro da Marktest para a TSF. Talvez a maior e mais pertinente reserva que se possa deter perante a prostituição tenha que ver com a relação de poder entre quem é cliente e quem se prostitui. Mas isso é, precisamente, um dos aspectos que mais alterações poderá conhecer com a legalização. Retirar a prostituição do submundo da marginalidade oferece uma hipótese legítima de acesso à protecção de um Estado e dos seus agentes.
Evidentemente, entre esta hipótese de acesso e a mudança de mentalidades pode estar um abismo. Mas, como esta sondagem indica, a maioria dos portugueses não se sente chocada com este primeiro passo. Por que não dá-lo, então?

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Maus prenúncios

Sobre a máquina de propaganda que é o Kremlin de Vladimir Putin, pode adiantar-se um apontamento elucidativo: apesar de o partido Rússia Unida se ter recusado a participar em debates televisivos, segundo uma sondagem pré-eleitoral, oito por cento dos russos acreditava terem-no visto ganhá-los.
O silêncio em redor do que está a acontecer à democracia nos Urais é um erro. Interesses energéticos à parte, por uma questão de princípios. Mas também porque, a História demonstra-o, fazer vista grossa aos atropelos nunca resultou bem neste continente.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Os mesmos

O desemprego atingiu um nível alarmante. Nada que não se previsse já, pese embora o optimismo do governo, quando ainda antes do Verão tudo levava a crer que assim seria. A taxa de desemprego, pelo menos de há uma década para cá, tem um comportamento homólogo de subidas e descidas muito uniforme.
Sabendo-se, para mais, que perder o emprego é uma das principais portas para a exclusão económica e social, uma taxa de 8,5% de desempregados anuncia uma calamidade que muito dificilmente se pode ignorar. Sem dúvida, o governo merece que se lhe aponte o dedo e que se lhe exijam soluções. Mas convém prestar atenção para ver se os que o fazem não são os mesmos que afirmaram, quando Sócrates prometeu 150.000 postos de trabalho, que não é o governo, e sim as empresas, o responsável pela criação de emprego.

Adenda: Afinal, parece que, sendo mau, não é assim tão mau. O propósito do post, não obstante, mantém-se.

Mistério da fé

A TSF dedicou a manhã a analisar o momento da Igreja em Portugal. Entre os vários problemas enunciados, foi referido o baixo número de novas ordenações.
A escassez de padres tem como consequência, em parte, uma participação mais activa dos fiéis na celebração dos rituais católicos. Curiosamente, este fenómeno pode contribuir para aproximar a Igreja aos seus primeiros tempos, quando as hierarquias religiosas ainda eram insípidas ou inexistentes. Contudo, essa participação pode acarretar igualmente riscos para a Igreja, que assim detém muito menos controlo teológico e social sobre as suas paróquias. O empenho e boa vontade dos fiéis não impede que possam surgir formas locais de heterodoxia. Aliás, a constituição de uma Igreja Católica foi a resposta ao risco que os diferentes cristianismos representavam uns para os outros, do ponto de vista de uniformização de crenças. Ainda assim, o papel mais activo que a participação dos fiéis na celebração dos rituais permite assume contornos intrigantes, por, nascendo de uma falta de vocações e constituindo um risco, possibilitar que as pessoas encarem novos níveis de responsabilidade na sua fé.
Tendo tudo isto em consideração, apetece terminar com uma pergunta provocadora, mas não tão paradoxal como pode parecer à primeira vista: e se da agonia da Igreja resultasse a salvação da Fé?

sábado, 1 de dezembro de 2007

Piadinha costumeira, para não fugir à regra

Hoje é Dia Mundial da Luta Contra a Sida e Feriado Nacional de não sei quê.

Tempo de tolerância

O orgulho hetero, o tal que surgiu numa publicidade de uma marca de cerveja, é um conceito tão vazio como o orgulho gay, ou o orgulho de ser português, de ser europeu, branco, negro, ou outra classificação qualquer. O orgulho por se pertencer a uma construção indefinida, que tem tanto de arbitrária como de heterogénea, não pode cimentar-se em nada de concreto. Partilhar a orientação sexual, a nacionalidade e a cor da pele não pode nunca ser mais do que isso. Não é possível estabelecer uma pertença identitária a uma categoria que não tem identidade própria, que não tem cultura própria, que não partilha necessariamente normas, valores, atitudes e práticas.

Na sequência das reacções suscitadas, a Tagus retirou a sua campanha e, na quinta-feira, Eduardo Cintra Torres manifestou a sua discordância com esta decisão (via Womenage a Trois). Não vou aqui discutir se a Tagus fez bem ou mal, assim como não pretendo discutir a felicidade da ideia publicitária nem a legitimidade das reacções. O que me chamou mais a atenção foi esse raciocínio de ECT, segundo o qual “Quando se inverte a espiral de silêncio pode ocorrer uma forte libertação de recalcamentos. O tempo de antena gay nos media, que muita gente percepciona como superior à sua presença na sociedade, poderá ser perigosamente contraproducente para a tolerância da sociedade.”

Cintra Torres começa o seu artigo de opinião precisamente por defender que apenas “fascizantes ou fascistas vocalizam oposição à nova atitude face à homossexualidade”. Mas, afinal, não são só os fascistas e os fascizantes que se podem opor à nova atitude perante a homossexualidade. Aparentemente, qualquer pessoa sempre disposta a prestar mais atenção às sensibilidades que se ofendem para romper preconceitos, em detrimentos das sensibilidades daqueles que constituem o objecto de preconceito, também oferece o seu pequeno contributo.

Nem todas as tolerâncias sociais se desenvolvem ao mesmo ritmo. Porém, quando estão em causa processos de exclusão social derivados de preconceito e atavismo, não existe qualquer justiça em esperar pela mudança de mentalidades. A escravatura acabou, as mulheres votam e têm acesso a carreiras profissionais de relevo, os povos africanos, asiáticos e americanos lograram a auto-determinação. Os homossexuais também terão direito ao seu “tempo de antena gay nos media”, seja lá o que isso for, e sem que apareça sempre alguém a pedir cuidado e mais tempo para a sociedade se adaptar. A adaptação surge com o conhecimento e o conhecimento precisa de contacto.

Adenda: A Helena Araújo, nos comentários, com a pertinência e simpatia que se lhe conhecem, chamou a atenção para o facto de o orgulho gay ter mais que ver com o orgulho de lutar abertamente contra o preconceito social. Quando eu escrevi que o orgulho gay era um conceito tão vazio como o orgulho hetero queria dizer, apenas e só, que é absurdo ter orgulho na orientação sexual. Fica feito o esclarecimento e a admissão da má formulação escolhida.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

O Estado da arte

O Estado acaba de adquirir em leilão a Deposição de Cristo no Túmulo, de Giambattista Tiepolo. Embora houvesse, qualquer que fosse o comprador, a obrigação de manter a pintura do século XVIII em território nacional, é um sinal interessante e positivo o que o Estado acaba de dar. Talvez tenha sido uma decisão muito condicionada pelo mediatismo que envolve a obra. Na prática, garante-se que esta não será mais uma obra importante da pintura europeia destinada a eclipsar-se definitivamente numa colecção particular. Por vezes, mesmo razões menos nobres podem conduzir a bons resultados.
Nada contra o coleccionismo privado. De resto, faz parte da história da arte moderna desde os primeiros dias. Mas, num país em que não abundam espaços culturais de renome, uma oportunidade destas não se pode enjeitar de ânimo leve. Os bons museus precisam de boas obras. E as boas obras custam bom dinheiro.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Voar baixinho

Se não me falha a memória, julgo que apenas por uma vez comentei a novela da Ota vs. Alcochete vs. Portela + 1. Nos blogues andamos todos a falar, muitas vezes, de assuntos que não dominamos, e é inevitável que assim tenha de ser, sob pena de a escrita e a interacção entre bloguistas ficar reduzida a serviços mínimos. Mas existem limites e, para mim, os campos da aeronáutica e das mega-obras de engenharia são dois deles.
Evidentemente, o assunto não é desprovido de interesse. Mas não abundam capacidades de entender e ajuizar todas as variáveis em questão, como também falta paciência para o enredo novelesco que cobre o desenrolar dos acontecimentos. A certa altura, o cidadão comum dá-se por contente que se encontre uma solução qualquer e que esta não passe por lhe construírem o aeroporto num dos canteiros do jardim do bairro.
Na impossibilidade de comentar as opções, resta a faculdade de comentar o processo. Não ficaria surpreendido se uma boa parte das pessoas que acompanham vagamente os avanços e retrocessos deste projecto manifestasse uma opinião negativa em relação ao processo de decisão em curso. Mais, não me surpreenderia que essas mesmas pessoas considerassem que por cada novo estudo que surge, mais do que uma avaliação técnica, surja um interesse oculto qualquer em arrastar a obra para determinado local.
Este tipo de opinião negativa em relação aos processos de avaliação e decisão é do pior que pode acontecer a um sistema político que se quer democrático. Verdade seja dita, muita responsabilidade se pode imputar aos principais actores – ao seu aparente ressentimento mútuo, à sua aparente falta de disponibilidade para ouvir, à sua aparente opacidade no momento de partilhar toda a informação de que dispõem – tal como muita responsabilidade se pode imputar à opinião pública – a sua falta de preparação, a sua falta de interesse, a sua falta de participação.
Mas o grau de desconfiança que atinge a opinião pública torna-se sobretudo preocupante porque se pode tornar sistémico e extravasar o caso concreto em apreciação para se generalizar a todos os processos de decisão política neste país. Não só não estamos longe desse dia, como talvez já estejamos a viver as suas primeiras horas. Se assim não fosse, a mudança de regime pela qual ciclicamente se clama em certos meios, assim como a simpatia e compreensão que as “lideranças musculadas” parecem recolher na nossa sociedade, não teriam lugar tão facilmente.
A nossa democracia é imperfeita, não existindo nenhum problema especial nisso. Todas as democracias são imperfeitas e é razoável duvidar que uma democracia perfeita continue ainda a ser uma democracia. A perfeição não é um dos atributos do ser humano. O que a humanidade tem buscado, nem sempre pelos melhores caminhos nem pelas melhores razões, é a melhoria da sua condição, a qual quase nunca ocorreu como resultado da força, mas antes da inteligência, da compreensão e do respeito mútuo. Um sistema político que se quer ver respeitado tem que se dar ao respeito. Obliterar esta regra não augura nada de bom para o futuro próximo.

Estudos meus

O Bios Politikos tem o prazer de informar que se encontra totalmente disponível para elaborar o seu próprio estudo sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa. Aceitam-se patrocínios.

Segunda vida

Há alguns meses, e com o atraso que me é próprio no que toca a estas coisas, alguém me chamou a atenção para esse fenómeno peculiar que é o Second Life. Ora, o primeiro post deste blogue alude a uma segunda vida e, nas mentes mais impressionáveis, pode surgir uma associação que quero desde já repudiar.

A segunda vida a que se alude neste blogue remete para aquilo que os antigos gregos consideravam ser uma condição especificamente humana: a organização política. As duas actividades que integravam o político eram a acção e o discurso, formando assim o bios politikos. Se o poder da acção nos blogues é muito limitado, embora não inexistente, o discurso parece ser, então, a actividade por excelência que este meio possibilita.

E embora os gregos considerassem a persuasão como a implicação lógica do discurso, afastando as formas de violência como meros modos pré-políticos de relacionamento, não se trata aqui, pelo menos neste blogue, de persuadir quem quer que seja. Apenas discorrer como forma de participação política, como actividade e condição exclusivamente humanas.

Lowered expectations

Agora que se iniciou um blogue com um título numa língua que o autor não fala, inspirado num livro que o autor não acabou de ler, é praticamente garantido que não se voltará a atingir tamanho grau de pesporrência nesta casa. O limite foi claramente traçado. Todos sabem com o que podem contar.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

O retrato

Para os mais interessados nessas coisas, o autor deste blogue encontra-se retratado no quadro reproduzido acima, sendo possível observá-lo em primeiro plano, de cabeça apoiada na mão esquerda, enquanto medita sobre o próximo post, os jogos do Benfica e o futuro da civilização.