segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Mistério da fé

A TSF dedicou a manhã a analisar o momento da Igreja em Portugal. Entre os vários problemas enunciados, foi referido o baixo número de novas ordenações.
A escassez de padres tem como consequência, em parte, uma participação mais activa dos fiéis na celebração dos rituais católicos. Curiosamente, este fenómeno pode contribuir para aproximar a Igreja aos seus primeiros tempos, quando as hierarquias religiosas ainda eram insípidas ou inexistentes. Contudo, essa participação pode acarretar igualmente riscos para a Igreja, que assim detém muito menos controlo teológico e social sobre as suas paróquias. O empenho e boa vontade dos fiéis não impede que possam surgir formas locais de heterodoxia. Aliás, a constituição de uma Igreja Católica foi a resposta ao risco que os diferentes cristianismos representavam uns para os outros, do ponto de vista de uniformização de crenças. Ainda assim, o papel mais activo que a participação dos fiéis na celebração dos rituais permite assume contornos intrigantes, por, nascendo de uma falta de vocações e constituindo um risco, possibilitar que as pessoas encarem novos níveis de responsabilidade na sua fé.
Tendo tudo isto em consideração, apetece terminar com uma pergunta provocadora, mas não tão paradoxal como pode parecer à primeira vista: e se da agonia da Igreja resultasse a salvação da Fé?

1 comentário:

Helena disse...

Não sei.
Não sei se a Igreja está em agonia, ou se está a entrar numa fase de "poucos mas bons", e não sei se um maior empenhamento dos leigos permite salvar seja o que for. A única vantagem clara que vejo nesse empenhamento é a substituição de uma atitude de consumo por uma de participação.
Mas conheço vários casos de paróquias ou comunidades onde há um profundo mal-estar porque os leigos se dividiram em grupos que se vão guerreando entre si. E o padre pelo meio, sujeito às pressões de uns e outros, manipulado, desesperançado.

Que a Igreja continue a existir, apesar de tudo isto, e consiga criar comunidades onde eu me sinto bem, é mais que um mistério da Fé: é a prova irrefutável da existência do Espírito Santo...