quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Da desconfiança (2)

No momento em que a desconfiança generalizada passa por opinião crítica informada sabemos que o mal da democracia neste país é ainda mais profundo. Desta confusão entre duas linhas de pensamento tão distante resultam dois fenómenos nefastos. O primeiro é o de tender a afastar os que prezam o seu bom nome e a sua honra. Se da participação cívica na política o que sobressai é a desconfiança infundamentada, então quem quererá submeter-se de ânimo leve a tal estigma? O segundo inconveniente é que, quando o que se espera dos políticos é que sejam interesseiros e corruptos, estamos a convidar muito boa gente a agir de acordo com as expectativas que foram traçadas. Se as pessoas esperam que fulano seja ladrão, não é certamente roubando que ele desiludirá a comunidade. Com esta atitude, a única coisa que se consegue é limitar a renovação da classe política e diminuir os constrangimentos sociais para o incumprimento das leis.