sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

A livre circulação de pessoas

O ataque aos imigrantes que sempre caracterizou o CDS de Paulo Portas é, evidentemente, oportunista. Pretende cativar os votos do ressentimento e da exclusão. Mas é igualmente ideológico e, nessa vertente, ilustra bem o porquê da queda do PP nas intenções de voto. A ideologia que Portas e os seus seguidores trouxeram é uma ideologia que se encontra desfasada da realidade. No PP, pensa-se o mundo e os países ainda como coutadas geográficas e culturais. A globalização social e cultural é uma ideia que, no Largo do Caldas, não só se recusa como se pensa que deve ser combatida. Infelizmente para Portas, não é com o seu barco a remos, onde cada vez conta menos remadores, que conseguirá contrariar esta maré. Por um lado, a Europa precisa de imigração para equilibrar os seus saldos demográficos e os seus sistemas contributivos e, por outro, torna-se impossível sustentar um sistema que não permite que o mercado de trabalho acompanhe os investimentos. O CDS é, hoje, um partido fora do seu tempo.

1 comentário:

Carlos Santos disse...

Há quem diga, e eu tinha esperança nisso, que o contexto de crise política e económica pode permitir que este seja o ano da arrumação no sistema partidãrio português. O que só é possível fraccionando o PSD e deixando a ala liberal-populista anexar o CDS. O que permitiria um partido democrata cristão e um partido liberal à direita, um partido do socialismo democrático na esquerda e o PC e o BE nos seus lugares ideológicos que já ocupam.
O problema é que no contexto corrente parece-me suicidária a demarcação da ala liberal do PSD. Porque como resulta de uma entrevista ao WSJ de ontem de um dos responsáveis do liberalismo, eles não têm explicações para a crise. E como, permita-me o convite que não pretende ser publicidade, exploro aqui http://tinyurl.com/dfq6nj
essa frase vinda de quem vem, mostra as culpas na situação actual de homens como este.
Abraço,
Carlos Santos