terça-feira, 3 de novembro de 2009

Recomendação

Já recomendados pela Helena, três posts excelentes da Rita Dantas (1, 2, 3).

Um mau profissional

Como seria de esperar, a direita estrebuchou com a saída de José Manuel Fernandes do Público. Caiu-lhe mal uma declaração de intenções, em forma de editorial, a constatar o óbvio: que o Público se afastou demasiado do jornal de referência que já foi e que é necessário arrepiar caminho se pretende voltar a sê-lo.

Durante a direcção de JMF, o Público perdeu leitores, perdeu colaboradores, perdeu o rigor, perdeu qualidade, perdeu credibilidade e perdeu a vergonha. Dizer que, para os que celebram a saída de JMF, o problema era o seu alinhamento político à direita é um equívoco, ou uma falácia. O problema de JMF, como qualquer pessoa provida de equilíbrio e bom senso atestará, foi o hipotecar um património jornalístico rico e reconhecido em troca de um projecto político (mal) encapotado. O problema de JMF nunca foram os editoriais que escreveu, mas a cultura de subalternização dos princípios deontológicos e éticos do jornalismo em função dos seus interesses ideológicos que implementou.

Para além de tudo o que de mau aconteceu ao Público sob a batuta de JMF, convém relembrar, por exemplo, que, com ele, este foi um jornal onde saber escrever não era um requisito para chegar a editor e onde a fabricação de contextos falsos para encobrir fontes não suscitou quaisquer pudores.

Ninguém aponta o dedo a JMF por ser de direita. Aponta-se-lhe o dedo por ser mau profissional. Somente.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Mudar de ares

O primeiro editorial da nova era do Público não hesita em, descaradamente, terminar com uma dose muito generosa de graxa aos seus leitores. Faz bem. Os leitores do Público foram tomados por parvos demasiadas vezes nos últimos tempos. Sabe-lhes bem a mudança.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

(Semi)autobiografias

Levantou-se alguma poeira depois de Andre Agassi ter admitido o consumo de drogas em determinado momento da sua carreira. Mais interessante do que entrar na polémica sobre o impacto das drogas no desporto e nas mitologias construídas em torno das suas vedetas, é perceber por que é que já ninguém espera por ser velho para escrever uma autobiografia.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Segunda Circular

Nunca o Sporting me tinha proporcionado tantas alegrias em tão pouco tempo.

Brincadeiras à parte, e num registo mais sério, nunca o Sporting me tinha proporcionado tantas alegrias em tão pouco tempo.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O último dia

Se apenas os resultados deste ano eleitoral contassem, Ferreira Leite teria toda a legitimidade para permanecer como líder do PSD até ao fim do mandato e, querendo, apresentar-se novamente como candidata. Mesmo a derrota expressiva nas legislativas e o recuo nas autárquicas permitem, pelo menos, o cumprimento integral do seu mandato. Mas não são apenas os resultados eleitorais que contam. As escolhas que a direcção do PSD impôs, especialmente João de Deus Pinheiro e António Preto, comprometem seriamente a liderança. Deus Pinheiro renunciou ao mandato de deputado e António Preto suspendeu-o, o primeiro alegando razões pessoais e o segundo para responder às acusações judiciais que sobre ele pendem. Se uma derrota eleitoral não é algo que, necessariamente, deva levar ao afastamento de um líder partidário, os casos de Deus Pinheiro e de António Preto resultam na negação de tudo o que o PSD pretendeu representar nestes últimos meses. Sendo nomes apontados e impostos por Ferreira Leite, a sua responsabilidade política sobre este desfecho é inquestionável. Um caso e outro fragilizam-na para lá do aceitável e demonstram uma incoerência com um preço muito alto. Porque há sempre quem tenha dificuldade em perceber, ou em aceitar a realidade, convém deixar clara a posição actual da liderança do PSD. Ontem foi o último dia com legitimidade política para se manter em funções.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Mitologia da verdade

O cabeça-de-lista do PSD por Braga foi deputado durante uns estonteantes 30 minutos. O tempo que Deus Pinheiro, uma escolha de Ferreira Leite, dedicou ao cargo impressiona e deixa bem claro o respeito que a vida política, as instituições e os eleitores merecem ao agora ex-deputado e ao seu partido.

Percebe-se, assim, que a indignação do PSD pelas candidaturas duplas do PS era apenas um artifício eleitoralista. Como já se tinha percebido, com a imposição por Ferreira Leite de António Preto e Helena Lopes da Costa, que a seriedade era apenas uma palavra sem significado real. E como já se percebeu, pela forma abrupta como o PSD deixou cair o tema da "asfixia democrática", que teria o dever cívico e político de defender até à exaustão no interesse do país e dos eleitores, que tudo não passou de uma estratégia sem outro objectivo que não fosse o de angariar votos no dia 27 de Setembro.

Um a um, os mitos montados em torno da liderança de Manuela Ferreira Leite vão caindo sem apelo.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Causa - efeito

Não deixa de ser curiosa esta forma de pretender desvalorizar alguém recorrendo ao nu. Não apenas pelo que revela das representações sobre o corpo, sobre a mulher e sobre a sexualidade, mas também porque, como parece ser evidente, neste caso concreto, não produzirá necessariamente o efeito desejado.

Acordar tarde

Subitamente, Portugal parece ter despertado para o facto de ser motivo de troça no Brasil. Subitamente também, a blogosfera parece ter despertado para os nus de Maitê Proença. Como os menos atentos poderão testemunhar, tanto um como a outra acordaram tarde.

sábado, 3 de outubro de 2009

O problema

Volta a surgir a tese, como já se tinha ouvido nos anos 90, que afirma que Cavaco é um poço de integridade. O problema está nas pessoas que o rodeiam. Percebe-se facilmente a tentativa de branqueamento e desculpabilização. Mas o problema não são as pessoas que o rodeiam - ainda que fosse, 25 anos rodeado das mesmas pessoas sem perceber o seu calibre teria muito que se lhe diga. O problema está mesmo no homem que as escolhe para o rodearem.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O fim de uma era (espera-se)

José Manuel Fernandes deixa a direcção do Público a partir de 31 de Outubro. Será difícil, à sua sucessora, fazer pior do que os 11 anos de abastardamento daquele que já foi um dos melhores diários europeus.

Aftermath

Cavaco conseguiu transformar Sócrates numa referência de estabilidade e de sentido de estado.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Ilusões

Só de desilude quem um dia acalentou esperanças. Só se surpreende com o teor das declarações de Cavaco quem um dia confiou no seu discernimento e na sua sageza política. Cavaco é um homem sem visão, sem mérito profissional nem político. Os anos de desperdício de fundos comunitários aplicados em betão, em vez de apoiar uma reestruturação do tecido económico português, estão aí para o provar à saciedade.

A intervenção de Cavaco não possui coerência interna nem externa. Os argumentos utilizados não são coerentes entre si e não são coerente com a realidade a que deviam reportar. Existem erros e omissões que só serão possíveis da parte de quem tem um entendimento muito limitado das questões que aborda ou da parte de quem quer travestir a realidade em outra coisa que lhe convenha. Em qualquer dos casos, a Presidência da República está muito mal entregue.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Resumo

O melhor resumo do comportamento de Cavaco Silva nas últimas semanas, incluindo a triste prestação desta noite, foi apresentado pela Maria João Pires: um presidente institucionalmente anão.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O que é que António Costa pretendia provar?

Simplesmente, isto. Ilustrado com fotografias e tudo, para ser mais fácil ao João Miranda perceber o que está em causa.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Responsabilidade

A comunicação social detém o enormíssimo poder de ser o principal, e muitas vezes único, ponto de mediação entre o cidadão e a realidade política. Com o seu trabalho, a comunicação social permite o controlo sobre os agentes políticos que não está ao alcance do comum cidadão. A responsabilidade social e moral que se impõe perante tal poder é, igualmente, enorme. A conduta do Público na forma como optou por noticiar alegadas suspeitas da PR, com o patrocínio e cobertura do seu director, escapa a tudo o que é de mais elementar na ética e deontologia da profissão do jornalismo. As debilidades da democracia também passam - e se passam - por aqui.

Um mau prenúncio

Das próximas legislativas dificilmente sairá um governo estável. No momento em que o país mais precisava que da Presidência da República viessem sinais sólidos que ajudem a ultrapassar os obstáculos que as clivagens partidárias vão colocar à governabilidade, Cavaco decidiu hipotecar a sua eventual força e credibilidade para apostar tudo no apoio desesperado e muito pouco discreto ao PSD de Ferreira Leite. As decisões fazem os políticos. Se Cavaco não tiver a dignidade de se demitir, e não é de crer que a tenha, a vida não será fácil para os lados de Belém no tempo que sobra a esta presidência.

Cavaco I, o cínico

Como é fácil de entender, e já tem sido bastante repetido por diferentes sensibilidades, a decisão de afastar Fernando Lima chega tarde. Demasiado tarde. O afastamento do assessor, não tendo acontecido nos dias que se seguiram às notícias do Público, mas só quando o DN desmascarou a concertação, apenas se reveste de um cinismo preocupante numa figura política que devia ter melhor noção das exigências do cargo que desempenha.

Leitura política

Lendo o que os blogues politicamente alinhados à direita têm escrito sobre a articulação entre Belém e o Público para criar um pseudo-caso, fica-se com a impressão que esta gente ou ensandeceu ou acha que somos todos parvos. A PR monta um suposto "caso" para, conscientemente, minar a imagem do governo e do partido que o apoia e um jornal dito de referência presta-se a veículo de manipulação política grosseira, ignorando tudo o que é de mais elementar bom senso na prática jornalística - e tudo isto em tempo de eleições -, mas a preocupação desta gente é com o papel desempenhado pelo DN. O DN fez o trabalho que lhe competia. Perante acusações feitas em público, conseguiu indícios fortíssimos, os quais, após ausência de desmentido, podem ser considerados provas do envolvimento da PR num plano para influenciar o resultado das eleições que se avizinham. Investigou, confirmou, publicou.

Temos um órgão de soberania a violar dolosamente os seus deveres constitucionais, apoiado pelo frete de um jornal que prescindiu há muito da integridade e do brio profissional, e, pelo meio, um grupo de fanáticos que finge não perceber a gravidade da situação.

A partir do momento em que não há desmentido sobre a veracidade do email publicado pelo DN, a primeira leitura política a fazer é que Cavaco deixou de ter condições para continuar em Belém. Obviamente, é esta leitura que a direita vai tentar evitar a todo o custo. Muita poeira vai ser lançada para o ar nesta última semana de campanha.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Não é por aí (2)

O post do João Miranda apoia-se em duas falácias. A primeira é que, tal como é formulada, a pergunta que o encerra leva a que se considere as opções apresentadas como mutuamente exclusivas. Em segundo lugar, enquanto a dívida pública é medida em percentagem do PIB, o desempenho a nível de infraestruturas é medido pela percepção que os respondentes têm da qualidade destas. Dificilmente podemos usar estes indicadores a não ser para criar cortinas de fumo.

Não é por aí

Há ideias, como este texto do João Miranda, que não devia ser preciso explicar muito melhor para se perceber as suas limitações. E não devia ser preciso explicar porque, mesmo sem ser economista, qualquer pessoa devia compreender a diferença entre valores relativos e valores absolutos.

Se Portugal, numa lista de competitividade global, ocupa o 23º lugar em vias ferroviárias e, por outro lado, o 117º em dívida pública, dificilmente daí se retira outra informação que não seja o facto de haver, respectivamente, 8 e 116 países melhor colocados que o nosso. Mas, com base exclusivamente nas posições ocupadas na lista, nada nos pode fazer avaliar o grau das diferenças que se verificam. Por exemplo, em termos de dívida pública, medida em percentagem do PIB, o 116º país da lista pode apresentar uma diferença em relação a Portugal de menos de metade ou de uns meros 0,2 pontos percentuais.

As estatísticas não se usam sem enquadramento. Os números, por si mesmos, valem pouco. Devem ser sempre contextualizados, comparados e interpretados. O resto é demagogia ou desinformação. Exemplificando, e para que fique mais claro qual o nível de demagogia ou de desinformação, o país que ocupa o primeiro lugar no ranking da competitividade em termos de dívida pública é Timor-Leste.

Se Portugal deve privilegiar a redução da sua dívida pública é uma discussão que, com toda a legitimidade, se pode e deve fazer. Mas não são os lugares relativos numa lista que nos permitem fazê-la com rigor e objectividade.

Um Movimento sem mérito

A campanha mais visível do Movimento Mérito e Sociedade tem consistido numa crítica violenta ao sistema político-partidário. O MMS assume uma vontade de capitalizar o descontentamento e, para tal, não hesita em recorrer a uma estratégia que passa sobretudo por denegrir os restantes actores políticos.

Não é privilegiando a visibilidade dos ataques em detrimento da das propostas que se eleva o nível do debate político em Portugal. O MMS pode alegar que o dinheiro de que dispõe é pouco e obriga a alguma ginástica criativa. Mas também ninguém pode ignorar que quando o assunto é a política, os princípios devem figurar no topo das prioridades dos intervenientes. Para um partido que incluiu a palavra mérito na sua denominação, ironicamente trilha caminhos que se afastam bastante do que seria de esperar.

Os partidos e seus representantes que o MMS tem atacado são precisamente aqueles que têm recebido a confiança de quem se dá ao trabalho de ir votar. O MMS acaba, com a sua estratégia, quer o tenha percebido ou não, por atacar tanto os eleitos como os eleitores. Não é seguro que este posicionamento traga vantagens eleitorais, mas, em caso afirmativo, elas não poderão vir de outro lado que não seja o dos descontentes, dos ressentidos e dos desconfiados. O Movimento Mérito e Sociedade, que, como se viu, prescinde facilmente do mérito, privilegia e promove, assim, uma parte muito curiosa da sociedade. De um partido com esta linha de acção não se pode esperar nada de muito positivo.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

A Madeira como exemplo

Para quem tem feito do conceito de "asfixia democrática" uma bandeira de campanha, escolher a governação de Alberto João Jardim como exemplo do que o PSD tem para oferecer diz muito mais da postura política de Manuela Ferreira Leite do que as quarenta páginas de banalidades apresentadas como propostas eleitorais ou o matraquear exaurido sobre a "política de verdade".

Recordemos que a Madeira é um sítio onde se pode abater a tiro, impunemente, um balão de propaganda de um partido da oposição, ou onde se impede ilegalmente o acesso ao parlamento local de representantes eleitos. Sobre estas e outras situações exemplares, Manuela Ferreira Leite conserva um silêncio elucidativo.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Ponto de partida

Não devia ser preciso recordá-lo, mas, nesta altura, todos os esclarecimentos sobre o cancelamento do Jornal Nacional cabem à TVI, à Media Capital e à Prisa. Julgo que é do mais elementar bom senso, seriedade e interesse público que se comece por aí. Depois, e consoante o grau de pertinência das justificações apresentadas, ou na sua ausência, podemos permitir-nos variados exercícios de especulação. Estamos a pouco mais de 3 semanas das eleições. Há tempo de sobra para fazer tombar primeiros-ministros. Ou líderes da oposição.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Truques de campanha

No Largo do Rato, os responsáveis pela campanha do PS acreditaram durante muito tempo que a "marca" José Sócrates era uma mais valia. Os mais recentes outdoors do partido parecem inverter essa tendência, apostando antes nas políticas implementadas ao longo dos últimos quatro anos. Por seu lado, na Santana à Lapa, o trunfo de campanha assenta na repetidíssima tecla da "verdade" e numa gestão de silêncios que emula o truque que levou Cavaco Silva até Belém. Entretanto, a inclusão de António Preto e Helena Lopes da Costa nas listas das legislativas encarregou-se de mostrar, de forma rápida e inequívoca, os limites da "política de verdade" do PSD. Quanto à gestão de silêncios, por muito que Ferreira Leite queira colar a sua imagem à do Presidente, nada leva a crer que a estratégia volte a resultar. O contexto não podia ser mais diferente e o PSD engana-se se pensa que pode extrapolar o que aconteceu nas presidenciais para o cenário das legislativas.

Fraquinho, fraquinho

O programa eleitoral do PSD chega tarde e promete muito estudo e muita ponderação. Em si mesmos, são bons princípios políticos. Mas quando é preciso, mais do que nunca, uma posição enérgica dos governos, o que o PSD nos pede são mais uns meses para pensar melhor sobre o assunto. Ferreira Leite confirma, assim, caso os eleitores não tenham memória do que foi o seu desempenho como ministra da educação de Cavaco Silva e ministra das finanças de Durão Barroso, que a sua preparação para governar o país se encontra muito abaixo do limiar do aceitável. Se fosse verdade que a disputa eleitoral se resume a um confronto entre figuras políticas (basta a antevisão do desmantelar da função social e de providência do Estado no programa do PSD para deitar por terra essa falácia), Manuela Ferreira Leite dá um bom sinal da tibieza que grassa na liderança do PSD.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Política falhada

Nos anos 60 e 70, o estado da Califórnia podia orgulhosamente apresentar-se como possuindo um dos sistemas prisionais com melhor desempenho a nível nacional e mundial. A lotação dos estabelecimentos encontrava-se bem dimensionada, os programas de reinserção social funcionavam a bom ritmo e as taxas de reincidência estavam abaixo da média. Depois disso, veio a guerra contra a droga e uma série de medidas legislativas que endureceram a penalização dos condenados. As penas aumentaram, a elegibilidade para liberdade condicional ficou consideravelmente mais difícil de obter, os programas de reinserção deixaram de ser modelos a seguir, as taxas de reincidência aumentaram brutalmente e a sobrelotação dos establecimentos atingiu níveis que o Supremo Tribunal considerou abaixo do limiar da dignidade humana, levando-o a conceder um prazo à Califórnia para encontrar uma solução para o seu sistema prisional.
O líder do CDS-PP não foi o primeiro a preconizar "políticas muito mais firmes" no domínio da segurança. Já outros o fizeram antes dele, em variados contextos, mas sempre tendo o populismo como denominador comum. Ironicamente, como a Califórnia descobriu com amargura, "políticas mais firmes" não são sinónimo de sociedades mais seguras, muito pelo contrário. Pensar a segurança acreditando que a óptica penal deve ser a pedra de toque das estratégias adoptadas é uma miopia política que, a prazo, sai cara a todos os níveis.

Uma estranha forma de ser

A inumeracia, como nos recordam vários estudos, é um dos problemas de défice de competências dos portugueses. Saber minimamente trabalhar com números não é apenas uma questão de saber fazer contas. É, sobretudo, uma questão de raciocínio lógico. No Margens de Erro, Pedro Magalhães recupera uma crónica de António Ribeiro Ferreira que ilustra bem este fenómeno. O "grande repórter" do Correio da Manhã, em poucas linhas, revelando toda a sua ignorância sobre o que é a estatística e como se elabora uma sondagem, considera desde já que é inadmissível que as próximas sondagens apresentem outra coisa que não sejam resultados conclusivos. No planeta em que ARF vive, margem de erro, nível de confiança, métodos de amostragem e de aplicação dos questionários são tudo pormenores que não devem interferir na obtenção dos resultados que os preconceitos deste candidato a iluminado da nação já estabeleceram como aceitáveis.
O resto da prosa de ARF é um tratado de pequenos ódios, ressentimentos e preconceitos difíceis de digerir. Que se possa chegar a "grande repórter", nem que seja do jornal da região, sem demonstrar a menor vontade de estudar e perceber do que se fala é um triste diagnóstico do estado da comunicação social portuguesa. São pessoas deste calibre que escolhem, editam e relatam a realidade económica, social e política do país.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Fazer juízos

Como Hannah Arendt fez notar, o juízo é uma capacidade humana por excelência. Abdicar de a usar é abdicar da própria centelha da humanidade que reside em cada um de nós.

Manual de más práticas

Perante as câmaras da RTP, Manuela Ferreira Leite deixou, ontem, mais uma pérola sobre o que não é fazer política. A líder do PSD não quer saber da veracidade das suspeitas lançadas pela Casa Civil da PR, basta-lhe o sentimento de desconfiança, neste caso alimentado artificialmente e à força pela comunicação social, que possa existir na sociedade. Para quem reclama por uma política de verdade, não está mau.

O aforismo "em política o que parece é", obviamente, não é política. É propaganda. Mas ainda que fosse aceitável, neste caso, o que parece é que a PR tem umas contas a ajustar com o governo, faltando-lhe o engenho e a subtileza para arquitectar uma história decente. Valha-lhes a boa vontade de José Manuel Fernandes, capaz de transformar um boato indigno d'O Crime em manchete do Público.

Não se acusa sem provas nem se faz pender sobre o acusado o ónus da prova. Deve repetir-se isto à exaustão, independentemente de simpatias políticas. Por honestidade, por decência e por utilitarismo. Um dia, pode ser connosco.

Quem escreve um conto acrescenta um ponto

A campanha de desinformação do Público continua em força. O que começou por uma "perplexidade" de um membro da Casa Civil da Presidência da República, que chega a admitir a hipótese de haver fugas de informação internas, embora isso nunca tenha sido valorizado na redacção de José Manuel Fernandes, e por um adjunto do governo sentado em mesas para as quais não foi convidado, passa, nesta quinta-feira, a "denúncia de escutas na Presidência e de assessores de Belém a serem vigiados pelo Governo ou PS". Com pequenas subtilezas se vai influenciando a percepção que os leitores têm de determinada situação. Depois torna-se mais fácil falar de asfixia democrática.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Embrulha

"Em declarações ao PÚBLICO, Pinto Monteiro disse entender que 'neste momento, não há lugar a qualquer tipo de averiguação, visto que não existe nenhum facto concreto'. E salienta que 'não comenta comentários'."

Abaixo das exigências

Surpreendentemente, há muita gente, que devia ter mais juízo, a levar a sério a composição de Verão que o Público resolveu publicar. Mas, por outro lado, também houve muita gente a pensar que Cavaco Silva estaria à altura do cargo. Nunca esteve e continua a não estar.

A situação é simples: ou a Presidência, de forma oficial, concretiza as insinuações e age em conformidade, ou se distancia do comportamento irresponsável de um dos seus assessores, tirando igualmente as ilações que não pode deixar de tirar. O silêncio, neste caso, mais não é que cumplicidade com a lama.

A Presidência a quem parece que poderá ter acontecido não sei quê (2)

Na era do progresso incessante das novas tecnologias, na era dos computadores e dos softwares, da electrónica e da miniaturização, a Presidência da República suspeita que o governo terá recorrido ao sofisticadíssimo e muito subtil método de pedir a um adjunto que se sentasse na mesa dos assessores de Cavaco sem ser convidado. São estes os fundamentos que suportam uma das mais graves suspeições (a mais grave?) alguma vez lançada sobre um executivo no pós 25 de Abril. Se não fosse trágico, seria cómico.

Mesmo?

A sério: são estas as pessoas que queremos ter à frente do país nos próximos anos?

Muito, muito, muito bom

O Watergate mais curto da história.

Ensaio sobre a cegueira

É preciso não esquecer que o Público é, hoje em dia, um jornal no qual retirar 200 mil idosos da pobreza dá direito a nota negativa para Vieira da Silva na última página da edição.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

A Presidência a quem parece que poderá ter acontecido não sei quê

As declarações do anónimo membro da Casa Civil da Presidência da República são: "Como é que os dirigentes do PS sabem o que fazem ou não fazem os assessores do Presidente? Será que estão a ser observados, vigiados? Estamos sob escuta ou há alguém na Presidência a passar informações? Será que Belém está sob vigilância?"

Nas restantes duas páginas que o Público dedica à (não) notícia, nada - absolutamente nada - permite suportar estas gravíssimas insinuações. Qualquer político munido de um mínimo de bom senso ou e de um mínimo de entendimento sobre o que é o relacionamento entre instituições, e entre estas e os eleitores, não pode, em circunstância alguma, confundir as suas perplexidades com matérias passíveis de serem partilhadas com jornalistas. Mas, em Belém, esta foi a forma encontrada para atacar o governo e o PS em plena pré-campanha eleitoral. A mesma Presidência que pediu uma limitação à actividade legislativa, a propósito da discussão de temas que alguns gostam de apelidar de fracturantes, sanciona agora a lama como forma de fazer política.

Temos, então, uma instituição política com o peso da Presidência da República a recorrer à insinuação rasteira e à manipulação barata e um jornal, dito de referência, a prescindir da investigação, dos factos e do juízo crítico para se transformar em mera correia de transmissão dos interesses eleitoralistas de uma força partidária. Mas o problema, para estas almas caridosas, reside sempre nos outros.

Vergonha na cara

Se o PSD, pela voz de Aguiar Branco, desmente peremptoriamente a participação de quem quer que seja ligado à Presidência na elaboração do programa eleitoral do partido, então como é que alguém, ainda que de forma dissimulada, poderia escutar conversas nesse sentido?

Se o Público ainda fosse um jornal sério, a vergonha na cara nunca permitiria que uma capa como a do dia de hoje fosse publicada.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Os jovens

"Estou a apanhar o comboio para casa em Belém", disse, ao telefone, a rapariga que passeava na 24 de Julho.

Escolhas

A menos de 2 meses das eleições, com o país e o mundo ainda a viverem os efeitos da maior crise financeira e económica em muitas décadas, o PSD de Manuela Ferreira Leite, que não chegou ontem à liderança do partido, não consegue apresentar sequer as linhas gerais de um programa de governo. Os eleitores terão que perguntar a si próprios, dentro de poucas semanas, se são estas as pessoas que querem com a responsabilidade de responder a uma crise que, consensualmente, está longe de ter chegado ao fim.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Da desconfiança (2)

No momento em que a desconfiança generalizada passa por opinião crítica informada sabemos que o mal da democracia neste país é ainda mais profundo. Desta confusão entre duas linhas de pensamento tão distante resultam dois fenómenos nefastos. O primeiro é o de tender a afastar os que prezam o seu bom nome e a sua honra. Se da participação cívica na política o que sobressai é a desconfiança infundamentada, então quem quererá submeter-se de ânimo leve a tal estigma? O segundo inconveniente é que, quando o que se espera dos políticos é que sejam interesseiros e corruptos, estamos a convidar muito boa gente a agir de acordo com as expectativas que foram traçadas. Se as pessoas esperam que fulano seja ladrão, não é certamente roubando que ele desiludirá a comunidade. Com esta atitude, a única coisa que se consegue é limitar a renovação da classe política e diminuir os constrangimentos sociais para o incumprimento das leis.

Da desconfiança

Medina Carreira, em entrevista à SICN, define o poder como um "lugar para tratar da vida e dos negócios (...) para empregar os primos, os tios, para fazer negócios de auto-estradas e outras coisas no genero." Que há quem aproveite o exercício do poder para seu ganho pessoal não merece grande contestação. Se não houvesse evidências, bastariam as leis da estatística para não nos permitir afastar peremptoriamente essa possibilidade. Mas que se reduza o exercício do poder ao nepotismo e ao amiguismo, que se imponha a desconfiança generalizada sobre todos os agentes do sistema político, não pode deixar de ser considerado como outra coisa que não uma afirmação que deve mais à desilusão do que à argumentação racional. Este é o tipo de insensatez e preconceito que se pode esperar ouvir pelos cafés e praças do país. Mas das elites responsáveis espera-se outra coisa. Espera-se, por exemplo, que compreendam que a promoção da desconfiança generalizada no sistema e nos seus agentes apenas contribui para diminuir a qualidade da democracia que temos.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Coisas graves

Lido. De fio a pavio, de um fôlego só, que é como se devem ler blogues, e com o mesmo prazer de sempre.

Isto não é um regresso (2)

Dentro de dois meses podemos ter Ferreira Leite no governo, Santana Lopes na CML e, obviamente, Cavaco Silva em Belém. Quem achar que estaremos melhor assim que mantenha o estupor.

Isto não é um regresso

Pode não chegar ao fim do ano. Pode não chegar ao fim do mês. Pode não chegar a amanhã.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Love that dog

Love that dog,
like a bird loves to fly
I said I love that dog
like a bird loves to fly
Love to call him in the morning
love to call him
"Hey there, Sky!"

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Mon amour

Je ne t'aime plus mon amour
Je ne t'aime plus tous les jours

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Eterno retorno

Lift up your feet and put them on the ground
You used to walk upon

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Das duas, uma

Ou Ferreira Leite comprou uma paz podre dentro do PSD com a candidatura de Santana Lopes ou pensa, e mal, que em 2009 a fanfarra santanista pode compensar em folclore o que falta ao PSD em ideias. Nenhum destes cenários é particularmente animador.

O pior cego é o que não quer ver

Neste momento, já só tem ilusões sobre Manuela Ferreira Leite quem quer.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

A melhor canção de amor de sempre

Certa vez cantaram-me por telefone, num sussurro desafinado, o Romeo and Juliet, dos Dire Straits. Ainda não ouvi nada que batesse isso.

A livre circulação de pessoas

O ataque aos imigrantes que sempre caracterizou o CDS de Paulo Portas é, evidentemente, oportunista. Pretende cativar os votos do ressentimento e da exclusão. Mas é igualmente ideológico e, nessa vertente, ilustra bem o porquê da queda do PP nas intenções de voto. A ideologia que Portas e os seus seguidores trouxeram é uma ideologia que se encontra desfasada da realidade. No PP, pensa-se o mundo e os países ainda como coutadas geográficas e culturais. A globalização social e cultural é uma ideia que, no Largo do Caldas, não só se recusa como se pensa que deve ser combatida. Infelizmente para Portas, não é com o seu barco a remos, onde cada vez conta menos remadores, que conseguirá contrariar esta maré. Por um lado, a Europa precisa de imigração para equilibrar os seus saldos demográficos e os seus sistemas contributivos e, por outro, torna-se impossível sustentar um sistema que não permite que o mercado de trabalho acompanhe os investimentos. O CDS é, hoje, um partido fora do seu tempo.

Dias bons

O CDS apresentou, no Parlamento, propostas cujo único objectivo é dificultar a vida aos imigrantes. Foram recusadas por todos os restantes partidos. Os deputados também têm dias bons.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Post

Para dar mais dinâmica ao blogue e fidelizar leitores, estou a pensar iniciar uma série. Pensei chamar-lhe posts. É apenas uma ideia. Ainda não estou seguro que resulte.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Supostamente, sim senhor

"A historieta da suposta gaffe de MFL é só fumaça."

Vai ser, sim senhor

"Vai ser preciso uma boa equipa."

Talvez fosse, sim senhor

"(...) talvez fosse boa ideia pôr alguém a escrever os discursos de Manuela Ferreira Leite."

Os preparativos

O estado da actual liderança do PSD é tão desastroso que consegue a proeza de colocar Luís Filipe Menezes a fazer declarações muito aceitáveis. É a inversão de tudo o que Ferreira Leite e os seus apoiantes defenderam e, com toda a certeza, mais um prego no caixão do seu projecto político.

Suspender o bom senso

Vamos acreditar, para manter um certo nível de conforto psicológico aceitável, que as declarações de Manuela Ferreira Leite sobre a suspensão da democracia foram um exercício falhado de ironia. Vamos acreditar nisto porque, ainda assim, é a solução menos má. Mas não deixa de ser um cenário bastante triste. Mesmo como exercício de ironia, o que se pode concluir desta intervenção é que a líder do PSD, quando entregue ao livre deambular do seu raciocínio político, possui uma tendência assustadora para o dislate. Para quem pretende ser uma referência de credibilidade na política e alternativa ao poder, deixa muito a desejar.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Há vida nos blogues

Há uns anos, escreviam nos blogues poucas pessoas. Havia, talvez, mais interacção, e era fácil cobrir um vasto espectro com uma lista de leituras diárias muito razoável. Hoje em dia, o número de blogues aumentou espantosamente e criaram-se redes de leituras mais restritas. É impossível acompanhar o ritmo da produção de conteúdos e do nascimento de novos blogues. Entraram no mundo dos blogues alguns nomes mediáticos, enquanto outros, à custa de muito talento, de muita perseverança, ou de muita polémica, conseguiram um lugar de destaque, acima do mar de nomes.

Entre quem cá anda desde esses tempos, é compreensível um certo desencanto com a evolução. O fenómeno deixou de ter uma dimensão quase tangível para assumir contornos mais massificados.

As maiores potencialidades dos blogues podem reduzir-se a duas características: tender a democratizar o acesso à produção de conteúdos e permitir a liberdade de se transformar no que os seus autores quiserem. Evidentemente, o crescimento da massa crítica e da diversidade dos blogues, pelas leis da estatística, gera alguns exemplos de muita qualidade, alguns exemplos de muito pouca qualidade e muitos exemplos medianos. Para além disto, os nomes mais sonantes, quer porque tragam a sua fama de outros campos, quer porque a tenham alcançado no mundo dos blogues, recolhem maiores antenções e também se percebe que assim seja. Tudo isto são consequências lógicas e óbvias. Quem não identificar este resultado com os benefícios que lhe estão associados não percebe bem as vantagens de uma ferramenta como os blogues.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

A pessoa errada

A espantosa justificação apresentada para por Cavaco Silva em relação ao seu silêncio manifesta uma interpretação muito limitada dos seus poderes e funções, ou uma interpretação muito difusa do que é o regular funcionamento dos órgãos democráticos, ou uma submissão inadmissível ao desvario do PSD-Madeira. Mas revela, sem margens para dúvidas, aquilo que já muitos lhe tinham apontado em altura mais oportuna: que é a pessoa errada para o cargo que desempenha.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Uma América pós-racial

Segundo querem fazer crer, desde que Obama ganhou as eleições, é racismo dizer que ainda há racismo. Quem viveu quinhentos anos de escravatura, abusos, perseguições e segregação não pode voltar a colocar o assunto em cima da mesa. E quem concorda com eles também não.

Barack Obama é filho de mãe branca e de pai negro. É branco? Não, é negro. A cor da pele interessa e Obama é negro porque o branco era, e é, o ponto de referência. Em caso de miscigenação, quando um dos progenitores é branco e o outro não, ninguém se lembra de dizer que os filhos do casal são brancos. São outra coisa qualquer, ainda que tenham passado toda a sua vida em plena Europa ou EUA. Quanto a racismo, parece bastante esclarecedor.

Também é bastante esclarecedor que a eleição do primeiro presidente dos EUA com um tom de pele diferente dos 43 que o antecederam esteja a ser desvalorizada nestes termos. O racismo branco, na estranha mente destes pensadores, desapareceu. Mas, melhor ainda, aquilo a que devemos prestar atenção é ao racismo negro. Este exercício tem apenas duas consequências: apagar o passado e calar a contestação dos que acreditam que ainda há muito caminho a percorrer na marcha das igualdades.

No dia em que ser negro, nos EUA, não signifique uma maior probabilidade de ser condenado à morte, de ter piores empregos, piores salários e pior educação, poderemos começar a pensar no fim do racismo branco. Até lá, a eleição de Obama, apesar do enorme marco que representa, está longe de ser sinónimo de uma América pós-racial.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Uma presidência alheia

Em princípio, Cavaco Silva há-de perceber a gravidade do que está a acontecer na Madeira. Em princípio, até pode ser que já se tenha movimentado para restituir a normalidade do funcionamento das instituições. Infelizmente, por tudo aquilo a que já nos habituou, desde os tempos dos seus governos até aos da actual presidência, a gestão da comunicação com o eleitorado sempre foi um dos aspectos que Cavaco desdenhou. Que em Belém não seja um escândalo manter o silêncio à volta dos devaneios do PSD-Madeira é todo um tratado sob uma forma de estar na política.

Primeira página

Aqui está uma acontecimento sobre o qual não me importava que os jornais anunciassem, nas primeiras páginas, uma comunicação televisiva do Presidente da República.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Pró-americanismo

A Esquerda, a Europa e o resto do mundo não se caracterizam, nem nunca se caracterizaram, pelo anti-americanismo. Apenas acreditam que a América merece melhor do que o que viveu nos últimos oito anos. O anti-americanismo é um traço comum em fundamentalismos políticos, o que nunca foi o caso da esmagadora maioria da esquerda - democrática, republicana, humanista e progressista por natureza -, nem da Europa e muito menos do resto do mundo, tantas vezes demasiado ocupados com os seus problemas para se preocuparem com os dos EUA. Acreditar que as políticas internas e externas de Bush foram um desastre não é sinónimo de anti-americanismo. Pelo contrário, é sinal de pró-americanismo, mesmo muito pró-americanismo.

Enquanto esperamos

Houve uma altura, na campanha presidencial americana, em que, qualquer que fosse o resultado das eleições, ele significaria o adeus ao grupo de ideólogos, conselheiros e assessores que caracterizaram a presidência de George W. Bush. Houve, realmente, uma altura em que McCain ou Obama representavam uma mudança tão significativa que, só por si, já era bem-vinda. Mas depois a campanha de John McCain preferiu a colaboração dos mesmos ideólogos, dos mesmos conselheiros e dos mesmos assessores das campanhas e da presidência Bush. O resultado foi um florescer e agravar de difamações, de insultos e de mentiras como estratégia de campanha. E, claro, a escolha de Sarah Palin para a vice-presidência, um hino à neofilia, à ausência de mérito, ao clientelismo e ao caciquismo. Hoje, uma vitória de McCain já não representa outra coisa que não seja um pouco mais do mesmo. Ou talvez bastante mais do mesmo. A América e o mundo precisam de outra forma de fazer política.

Uma questão de legitimidade

Concordo que o líder do CDS-PP tenha legitimidade para questionar a continuidade de Vítor Constâncio à frente do Banco de Portugal. O que não concordo é que Paulo Portas tenha legitimidade para ser líder do CDS-PP.

domingo, 2 de novembro de 2008

A direita portuguesa

Paulo Portas continua a sua senda contra o Rendimento Mínimo. Manuela Ferreira Leite lembrou-se de fazer uma graçola sobre os efeitos do investimento público nos números do desemprego dos imigrantes. Tanto um como outra apelam a sentimentos que militam entre os mais baixos a animar o ser humano. Os líderes do PP e do PSD optam por incentivar o egoísmo e o nacionalismo bacoco em detrimento da solidariedade social e da honestidade intelectual. Perante o descalabro nas sondagens, Portas e Ferreira Leite parecem preferir disputar votos ao eleitorado do PNR. Assim vai a direita portuguesa.

sábado, 1 de novembro de 2008

Timing

Já não se pode elogiar ninguém. Uns acabam com os blogues, para aí pela 93ª vez, se não me falham as contas. Outros saem-se com isto, para o qual todas as palavras parecem desadequadas. Ou melhor, afinal arranjam-se duas: qual realização?

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Dardos



Nunca fui grande adepto de cadeias em blogues. Os blogues mudam, os hábitos mudam, os gostos mudam, e sempre me pareceu extremamente complicado elaborar uma lista de preferências. As listas de preferências, sejam elas de blogues, de livros, de filmes ou de doçaria conventual, para mim, são sempre listas de exclusões. O prémio para os eleitos é sempre o tantas vezes injusto desconsolo dos que ficam de fora. Assim, este Prémio Dardos, em que a Helena e o Lutz decidiram incluir-me, precisa de uma explicação para que se perceba a excepção à regra. A que se segue não é uma lista de preferências do momento. É quase a minha lista de prémios Nobel dos blogues. Trata-se de blogues que há bastante tempo, e de forma constante, contribuem para o meu pequeno prazer de ler bons blogues. E são blogues onde o respeito pela inteligência e pela honestidade do pensamento enriquecem o dia de quem por lá passa. São eles:

A Barbearia do Senhor Luís
A Pente Fino
Aurea Mediocritas
Bandeira ao Vento
Blogame Mucho
Blogo Existo
Dois Dedos de conversa
Imagens com Texto
Lida Insana
Margens de Erro
Mar Salgado
Ma-Schamba
Quase em Português
Vida breve
Womenage a Trois

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Democracia avançada e madura

Multiplicam-se os avisos dos militares em relação à insatisfação que se vive no meio, dos quais o mais sonante talvez seja o do general Loureiro dos Santos, notando-se o cuidado, nada inocente, que tem sido colocado nas palavras escolhidas. A insatisfação dos militares pode ser perfeitamente justificada ou não, não sendo esse o aspecto que me interessa reter. Aquilo que me capta a atenção é um certo tom de ameaça velada, que parece contradizer a confiança que, por exemplo, Loureiro dos Santos deposita no nosso sistema político ao apelidá-lo de democracia avançada e madura. Não se deve acalentar pretensões sobre esta matéria: a democracia portuguesa tem 34 verdes anos de vida. A necessidade que os militares sentiram de abrir hostilidades no seu processo revindicativo, e a forma escolhida para o fazerem, revela bem o quão débeis são o avanço e a maturidade da nossa democracia. Das forças armadas, como das forças policiais, pelo papel social que desempenham, espera-se uma reserva e uma discrição superiores à média. A ambiguidade dos sinais contidos nestes alertas é, por si só, um acontecimento com efeitos negativos para a democracia. Se as forças armadas se querem assumir, como não podia deixar de ser, como um pilar de estabilidade social e democrática, convinha que agissem respeitando esses princípios. Se é preciso contestar as políticas governamentais, que isso seja feito com franqueza, com exposição dos argumentos relevantes, com recurso a porta-vozes oficiais ou oficiosos, mas nunca com um tom de ambiguidade onde se possam ler pequenas ameaças ou pequenas chantagens, as quais apenas servem para alimentar o ainda muito fraco sentido democrático da nossa sociedade.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

O iluminado

Apesar da promulgação, Cavaco Silva continua a manifestar enormes reservas, como não se inibiu de expressar, à lei do divórcio. Uma lei, convém recordar, que tem o apoio de toda a esquerda e até de alguma direita.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Fim-de-semana

Passa uma pessoa dois dias sem ver blogues e, no entretanto, metade do 5Dias muda de casa e cria o Jugular.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Esclarecer interpretações

Depois de reler o post anterior fiquei com a impressão de que pode dar a entender que a minha apreciação do blogue em causa é negativa. Muito pelo contrário. Como já disse, escrevem lá o Besugo e o maradona e isso é garantidamente sinónimo de tempos bem passados a ler blogues (sem desmérito para os restantes autores daquela casa). Eu continuaria a ler o Besugo e o maradona ainda que eles escrevessem apenas receitas de cozinha.

A crise chega à selecção

Nasceu aí há uns dias A Dieta Rochemback. Não há-de ser por acaso que os leitores do catalão e facciosíssimo Sport votaram Rochemback para o pior 11 de sempre do FC Barcelona (outros nomes familiares dessa equipa de arrepiar: Geovanni, Okunowo e Amunike). Ora, nesse blogue, onde, entre outros, escrevem o Besugo e o maradona, surge uma interessante pista para o desaire que parece estar a apoderar-se da selecção de futebol. Para quem não saiba, ou nunca tenha reparado, importa notar que o actual treinador da selecção é alguém que passou os últimos anos associado a um patrocinador, digamos, muito especial. We never saw it coming. Pois não, pois não...

Do optimismo II

O número de telefone do escritório já pertenceu a uma agência bancária. Não há dia em que não se atenda um ou dois telefonemas de clientes da instituição que ainda não actualizaram a agenda telefónica. A maior parte das pessoas que telefona nesta condição começa a discorrer o seu assunto mal se levanta o auscultador. Um número ainda considerável continua mesmo depois de quem atende ter tido finalmente oportunidade de se identificar. Nesta semana, dois telefonemas particularmente notórios: uma senhora com bastante urgência em discutir o empréstimo da casa e uma outra interessada em saber quanto dinheiro tinha ainda na conta. Algo me diz que as suas preocupações não eram excesso de liquidez.

Do optimismo

Quem, como eu, não está por enquanto desempregado nem perdeu ainda o seu negócio (...).

Decepções anunciadas

Qualquer que seja a perspectiva escolhida, não se consegue perceber como é que a candidatura de Pedro Santana Lopes à CML possa ser vantajosa. Não o é para a higiene política, não o é para a cidade, não o é para o PSD nem para Ferreira Leite e não o é para o PS, que continua a não ter uma oposição que o desafie. Eventualmente pode servir os interesses de Santana Lopes, mas nem isso é certo. Mas ainda que sirva a sua ambição pessoal, e no dia das eleições poderemos aferi-lo, é muito pouco para justificar a escolha. O PSD insiste em trilhar os mesmos caminhos que o conduziram ao marasmo em que se encontra. Só de decepciona quem, no início, acalentou ilusões de que a credibilidade é algo que se decreta a priori em colunas de opinião.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

O eterno retorno

Começamos todos, agora, a ver com mais clareza qual era a porcaria a que Queirós se referia há uns anos.

Provérbio do dia

Atrás de mim virá quem bom de mim fará.

Escusavam era de ter ido buscar o Carlos Queirós para o contraste ser tão grande.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Todos diferentes

Hoje os preconceitos de uns vão aliar-se à falta de coragem de outros para continuar a adiar um passo fundamental na luta contra a desigualdade neste país.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Democracia de segunda

Recorrendo aos lugares comuns, a solução portuguesa passa quase sempre menos por resolver os problemas do que por contorná-los. Resolver eventuais problemas de fiabilidade nas votações dos emigrantes tornado mais difícil a participação eleitoral não resolve nada. Pelo contrário, apenas afasta os emigrantes dos seus representantes e do próprio país. Minar a participação cívica e política nos dias que correm é das piores ideias que pode ocorrer a um político sério. Numa época de desconfiança e afastamento entre eleitos e eleitores, contribuir activamente para a diminuição da participação eleitoral não é um tiro no pé. É, antes, estar a fazer pontaria a órgãos vitais.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

O silêncio a favor da demagogia

O PSD de Setúbal decidiu investir numa campanha de outdoors à qual não falta nenhum dos pergaminhos da pior demagogia política. Nestes momentos, o silêncio de Ferreira Leite, pensarão os estrategas sociais-democratas, cai como uma luva. O silêncio em política tem esta extraordinária capacidade de camuflagem. Ao escolher não comentar, o actor político permite que a sua putativa opinião possa ser interpretada à medida das conveniências de cada um. Tanto pode ser de apoio como de recriminação, bastando que se lhe imprima o spin certo para as audiências certas. O silêncio, camuflando intenções e compromissos, não só esconde a opinião, mas, muito mais importante, impede a responsabilização. A política sem opiniões, sem compromissos e sem responsabilização deixa de proporcionar a possibilidade de controlo e acesso à informação a que os eleitores têm direito. A estratégia do silêncio é uma estratégia de vistas curtas, oportunista e desprestigiante. Quem não percebe o mal que esta opção faz ao exercício da democracia provavelmente não percebe o próprio exercício da democracia.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Negro

Agora que penso nisso, o novo acelerador de partículas nunca poderá destruir o mundo. Um buraco negro manufacturado que nos engolisse a todos não é ciência; é poesia.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Sobreviver

David Hume terá dito que, para si, pensar que não exista nada depois da morte não o afligia mais do que pensar que não exista nada antes do nascimento. Falava, obviamente, da experiência da própria morte. O problema da morte, para quem partilha da aparente serenidade que Hume demonstrava, não se prende tanto com a ausência de si mesmo no mundo, mas antes com a ausência daquilo que se ama. O problema da morte é sempre o problema da morte dos outros. Ou, dito de outra forma, ainda menos encorajadora, o da própria sobrevivência.

A guerra contra o terrorismo

Após o 11 de Setembro erigiu-se o paradigma da guerra contra o terrorismo. A escolha da expressão não foi inocente. A guerra é um estado de excepção. Por isso se disse que o mundo estava diferente depois do ataque ao WTC. Mas, nos seus fundamentos, o mundo manteve-se igual. Houve, evidentemente, uma alteração de escala, traduzida nas dimensões humanas, materiais e mediáticas do atentado. Mas as ameaças mantiveram-se iguais na sua natureza. O terrorismo, o fundamentalismo e a ameaça nuclear e biológica, por um lado, e o direito à integridade física e psicológica e à procura de justiça, por outro, não nasceram em 2001.

Os caminhos bons e os caminhos maus que trouxeram a humanidade até aos dias de hoje mantiveram-se iguais a si mesmos. Não se verificou uma alteração dos fundamentos da ética, da justiça e das relações humanas. Não se inverteram os pólos do certo e do errado,
O terrorismo continuou a ser terrorismo, a morte continuou a ser morte, a tortura continuou a ser tortura e a guerra continuou a ser a guerra.

O paradigma da guerra contra o terrorismo, ao remeter para o estado de excepção, permitiu um posicionamento ideológico que sancionou todo o género de excessos. Sob o seu manto surgiram guerras preventivas, abusos sobre os direitos humanos, abusos sobre o estado de direito e despesas absurdas para satisfazer as necessidades de destruição e reconstrução de todo este processo. O poder viu o seu espectro de acção ser consideravelmente alargado. E se o poder tende a corromper, a natureza dessa corrupção, como se viu, tanto é material como moral.

A guerra ao terrorismo não serviu sequer os seus intentos e muito menos serviu os propósitos daquilo que gostamos de considerar as grandes conquistas da civilização humana – a democracia, a liberdade e o respeito pelos direitos humanos. Neste dia, isto é tão verdadeiro como se sabia ser há oito anos atrás. Utilizar as críticas ao paradigma da guerra ao terrorismo como forma de menorizar a solidariedade com as vítimas desse atentado é apenas um subterfúgio cobarde para desviar as atenções do falhanço miserável em transformar esse terrível momento numa oportunidade para a civilização se elevar a um nível que se sentia ser perfeitamente possível.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Areia para os olhos

O presidente do Conselho Nacional do CDS-PP criticou o comportamento de Paulo Portas e Nobre Guedes em relação à demissão deste último. Segundo a notícia do Público, pediu “mais formalismo” e avisou que “a amizade não se deve sobrepor às regras de funcionamento partidário”. E para frisar bem a elevação do nível de exigência dentro do partido, propôs um texto de apoio a Portas que os conselheiros se apressaram a aprovar com apenas quatro abstenções e nenhum voto contra. Os dirigentes do CDS-PP chegaram a um ponto em que já não são capazes de atirar areia para os olhos de ninguém, a não ser deles mesmos.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

WALL.E

E depois, nunca percebi bem porquê, o Babel é que estava recheado de anti-americanismo primário.
Dito isto, vale cada cêntimo do preço do bilhete, com os bónus da divertida curta que o antecede e da extraordinária síntese de História da Arte dos créditos finais.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Erros de avaliação

Uma candidata a vice-presidente que segure bem a base eleitoral conservadora, evangélica e rural dos republicanos permite que McCain possa ir atrás dos votos independentes e dos democratas de Reagan com outro à-vontade. Em 2004, os democratas nunca conseguiram perceber que perderam a eleição na luta ideológica. O eleitor americano não votou Bush por falta de informação ou por falta de discernimento. Votou nos valores e nas estratégias que lhe eram mais caras e num grupo de pessoas que, goste-se ou não, já tinha demonstrado ser capaz de cumprir o seu propósito político. Sarah Palin não alarga o espectro de potenciais votantes no partido republicano, mas promete segurar votos fundamentais. Se a campanha dos democratas não der o devido valor ao que Sarah Palin representa, pode ter à sua espera o mesmo desfecho de há quatro anos.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Coisas que interessam

Um post muito interessante da Palmira Silva sobre Sarah Palin. Ao lado do acessório e tocando apenas no que realmente é importante.

A ralé (2)

A das redacções. A que dá a madeira e os pregos com uma mão para poder escrever com a outra o relato da crucificação. A que condena os erros alheios e nunca reconhece os seus. A que debita moralismos pelos quais nunca se guia. A que se cala perante a canalhice que se prepara na mesa ao lado.

A ralé

Para alguma gente, continua a ser importante realçar que a atribuição de uma indemnização a Paulo Pedroso não esclarece a sua culpabilidade ou inocência no processo Casa Pia. Entre essa gente, podemos seguramente encontrar agentes dos sistema de justiça, educativo e político. Gente, porventura, com responsabilidades. Gente que se move em círculos restritos, especializados, mesmo de elite. O que toda esta gente tem em comum entre si e com o anónimo que comenta no balcão do café do bairro é a desconfiança orgânica perene. Ninguém entre eles valoriza a liberdade e a presunção de inocência. Até prova em contrário, somos todos presumíveis culpados e potenciais ameaças. Os políticos são todos corruptos, os árbitros são todos vendidos, a justiça é toda interesseira, a educação é toda uma lástima. Esta não é a atitude de uma consciência esclarecida, humanista, democrática. Esta é a atitude da ralé. A ralé não é uma classe ou um estrato social, não é de direita nem de esquerda, mas antes uma forma de estar na sociedade que desconfia de tudo e de todos e que será sempre a primeira, como antes, a abraçar os abusos, a perda de direitos e de garantias. A ralé, indiscutivelmente, é uma das maiores ameaças para a democracia de que tanto se queixa.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Ó chumos, eu agora estou aqui e isto é só convosco, vinde cá!

Besugo, hás-de compreender, se dependesse de mim, preferiria nunca te apanhar pela frente num hospital. Mas, como estas coisas não dependem de vontades, tendo de te apanhar pela frente num hospital, não quereria apanhar outro médico. Acho que isto se percebe e, se não se perceber, acho que pelo menos tu percebes bem. Dir-te-ia “não me mintas, não me escondas nada e não escrevas sobre mim”. E talvez pudéssemos falar de futebol para enganar os entretantos. Tu queixavas-te do meio campo do Sporting e eu dizia-te para levares o do Benfica, a ver se passavas os fins-de-semana mais contente. É o passavas...
Não é rendoso, mas é pessoal. Não fica mais pessoal do que isto. Não fica. Agora tira as mãos do Record e vai escrever qualquer coisa, que não dizes nada desde dia 27.

É bom que se distinga

Depois de Paulo Pedroso ter ganho o seu processo contra o Estado Português, um dos advogados das vítimas, Miguel Matias, vem lembrar que “É bom que se distinga que este processo contra o Estado ganho agora não tem rigorosamente nada a ver sobre a apreciação de culpa ou inocência de Paulo Pedroso relativamente aos factos que os meus clientes lhe imputam». Efectivamente, é bom que se distinga isso. No que diz, de forma directa, respeito à culpa ou inocência do ex-ministro e deputado, decidiu a juíza Ana Teixeira Pinto não haver motivo para o levar a julgamento. A menos que Miguel Matias reivindique uma inversão do ónus da prova e da presunção de inocência, é bom que se distinga que esse caso ficou arrumado nesse momento. A justiça, tal como é pensada por alguns dos seus agentes, pode ser uma coisa assustadora.

Formas de estar

Uma curiosa forma de estar, esta, de Paulo Portas, que não considerou importante, durante quase um ano, que os militantes, os eleitores e o país tivessem conhecimento de que o CDS-PP está sem vice-presidentes.