segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Os pobres que paguem a crise

Alguém explique ao Bastonário da Ordem dos Médicos quem são os estratos sócio-económicos que consomem fast-food. É que a ideia que o senhor propõe vai acabar a penalizar os do costume.

domingo, 4 de setembro de 2011

Esperança

Alemanha: CDU derrotada em eleições no círculo de Merkel

Happy Birthday Mr. Google

O cerco


Ainda mal passaram dois meses de governação e Passos Coelho já meteu na fogueira o seu ministro das Finanças. Depois de repetidamente o termos visto dar a cara sozinho pelo aumento de impostos, hoje tivemos o frete do DN a meter nos ombros de Vítor Gaspar aquilo que é uma responsabilidade colectiva do governo, e do seu primeiro-ministro acima de todos. Com uma capa destas, o ministro das Finanças já sabe o que o espera. O cerco começa em S. Bento. Quando chegar o momento, será o bode expiatório perfeito.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Falhanço

Paul Krugman interroga-se como é que economistas reputados como ele próprio e Joseph Stiglitz foram olimpicamente ignorados ao defenderem que o principal problema era de crescimento e emprego e não de dívida pública. Há um trabalho interessantíssimo a realizar para compreender como é que, após a queda da AIG e do Lehman Brothers, as agendas políticas e mediáticas divergiram da crise económica para se concentrarem obstinadamente numa crise de dívida soberana. Uma coisa é certa, a comunicação social falhou miseravelmente a promoção do pluralismo e do debate informado.

O caminho alternativo

Do amor


Via French Kissin'

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Vazio histórico

Estou desde as cinco da tarde a ler as notícias que vão sendo publicadas online e ainda não percebi onde é que está o corte histórico de despesa que o governo prometia. Não devo estar a procurar nos sítios certos. Só pode.

Perguntas óbvias

A propósito das medidas de sobrelotação das creches (que a imprensa suave insiste em apelidar de aumento de vagas), duas perguntas óbvias:

a) Em que estudos, de que técnicos, feitos quando e onde se baseia este aumento do número de lugares por sala? O limite anterior revelou-se errado e está ultrapassado? Porquê? 

b) O co-financiamento do Estado às IPSS vai ser revisto para contemplar o facto de haver mais alunos por sala, logo por educador, auxiliar, etc. ou a capitação mantém-se aumentando assim em termos reais a receita das ditas instituições?

O grande embuste

A RTP é uma empresa cujo quadro financeiro pode ser resumido da seguinte forma: é subsidiada pelo Estado, tem dívidas de centenas de milhões de euros e dá prejuízo anualmente. Apesar dos subsídios, o resultado do exercício anual é negativo e para isso muito contribuem as avultadas dívidas. Ninguém, no seu perfeito juízo, considera que uma empresa nestas condições seja um bom investimento. Contudo, as movimentações para ganhar vantagem numa futura privatização são óbvias. 

As receitas dos operadores dos canais de televisão são escassas para garantir a sustentabilidade do negócio. Como é evidente, a privatização da RTP vai criar um terceiro operador a competir em força por receitas publicitárias, o que se traduz numa quebra de preços. A isto acresce que as despesas com publicidade têm a característica de não só acompanharem o ciclo económico como ultrapassarem em amplitude a variação do desempenho da economia. Ou seja, quando o PIB cai, as despesas com publicidade caem proporcionalmente ainda mais. 

Perante esta realidade, duas linhas de acção parecem ganhar forma. A primeira é o saneamento das dívidas da RTP, que tanto pesam no seu resultado negativo. O pagamento antecipado de centenas de milhões de euros da dívida, anunciado esta semana pelo governo, cumpre o desígnio de entregar ao sector privado uma empresa com outra folga financeira. A segunda é subsidiar um serviço público de televisão prestado por operadores privados, que tem como função adicional garantir a sustentabilidade do negócio desses operadores. As movimentações dos grupos económicos interessados na privatização da RTP compreendem-se melhor à luz destas preciosas ajudas. 

A privatização da RTP, a realizar-se, tem tudo para acabar sendo mais um dos negócios ruinosos em que o contribuinte deixa de subsidiar uma empresa pública para passar a subsidiar três empresas privadas. É o liberalismo versão PSD-PP no seu melhor.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Diz que são uma espécie de liberais

A notícia de que o governo PSD-PP quer criar uma base de dados com informações sobre a saúde dos portugueses tem tanto de rocambolesca como de assustadora. Tal como salienta a CNPD, a solicitação do parecer está tão mal formulada (quer seja por amadorismo ou por receio de abrir o jogo) que é preciso algum esforço interpretativo para se perceber onde quer o governo chegar. Para já, o que fica claro é que esta é uma das maiores ameaças à privacidade dos cidadãos que se possam imaginar. A saúde de cada um de nós é um dos recantos mais íntimos da vida pessoal. Saber que ela poderá ser transformada em base de dados, com todos os problemas de segurança e confidencialidade que isso levanta, é um pensamento arrepiante. Curiosamente, os liberais de pacotilha do governo de Passos Coelho não parecem muito incomodados com estas minudências.

Repúdio

Um mínimo de sentido de dignidade não pode conduzir a outro resultado que não ao repúdio público das excrescências deste indivíduo.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O arquitecto no seu labirinto

Anda por aí uma petição para boicotar o semanário Sol. Tal como a Helena, não consigo boicotar um produto que não compro nem nunca comprei, embora compreenda bem a indignação dos signatários. Sobre o texto de José António Saraiva, a Helena já escreveu o essencial. Do seu texto, destaco o último parágrafo, por me parece que representa perfeitamente aquilo que sinto:

"(...) não é necessário pôr em causa as nossas referências nem baralhar os nossos pobres espíritos.
Nem – já agora – complicar a vida aos pobres jornalistas, pondo-os a pensar se estará certo dizer ‘o ex-marido de Jorge Nuno de Sá’.
"

"baralhar os nossos pobres espíritos" e "complicar a vida aos pobres jornalistas, pondo-os a pensar"
Homem, porque não avisou logo no princípio? Poupava-me o trabalho de o levar a sério!


Há uns anos, JAS escreveu um texto em que, a propósito de uma deslocação a Caxias, descrevia a freguesia como algo próximo de um inferno labiríntico esquecido por Deus. A verdade é que Caxias é uma localidade situada numa colina de onde se avistam o mar e o monte do Jamor, com uma dúzia de ruas, onde não é difícil perceber quais são as vias principais. De quem vive do jornalismo, parece-me, espera-se outro tipo de relação com a verdade. Deturpar deliberadamente factos para apimentar uma historieta devia ser motivo de repulsa para qualquer pessoa que preze a profissão e o seu próprio bom nome. Ao longo dos anos, tenho vindo a convencer-me que JAS não se encontra neste grupo de pessoas. Gastar dinheiro no que quer que seja que tenha a sua assinatura está completamente fora de questão.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Gostar de blogues

Uma contextualização simples e certeira.

A globalização é para todos

Fall in German business confidence stokes recession fears

A quebra de confiança na economia alemã é uma má notícia para toda a Europa, muito especialmente para a zona euro. O artigo do Guardian chama a atenção para o importante papel que o consumo alemão desempenha na recuperação das economias periféricas. Mas o reverso da medalha é que sendo a Alemanha um país fortemente exportador, depende do resto da Europa e do mundo para continuar a ser um caso de sucesso. Como já tem sido apontado muitas vezes, a crise das economias periféricas é, a prazo, a crise da economia alemã.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Políticos com humor

Encontraram 6,5 milhões de euros em facturas não contabilizadas. Bravo. Já só faltam 1.993,5 milhões para justificar o desvio colossal.

Entretando, todas as semanas surgem desculpas novas para o aumento do IVA no gás e na electricidade. Para o governo, parece que “'um dos problemas dos investidores em Portugal' se deve a 'um sistema que é volátil e diferente dos outros'". Portanto, os investidores não gostavam de ter uma taxa de IVA baixa. A RTP não esclarece se Carlos Moedas conseguiu dizer tudo sem se rir.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Six more years

O governo inglês, que tem vindo a aplicar a receita da direita europeia para a crise, cortando em tudo o que é apoio social, prepara-se para gastar um bilião de libras em 14 helicópteros de guerra. É sempre gratificante saber que os sacrifícios pedidos às classes médias são aplicados em tão nobres causas. A BBC adianta que o modelo Chinook é "vital" para as operações no Afeganistão, com as entregas a estenderem-se de 2013 a 2017. Para bons entendedores...