domingo, 31 de outubro de 2010

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Gostar de blogues

Apesar de citar apenas as respectivas punch lines, obviamente, para ler tudo:

"O mais curioso é que hoje li blogues portugueses onde se falava sobre a Alemanha e os alemães no mesmo tom em que o Sarrazin fala contra os turcos e os árabes..."
Helena Araújo, no 2 Dedos de Conversa

"Por estranho que pareça, aqui instalada no epicentro da xenofobia, não tenho nenhuma vontade de voltar para o vosso paraíso dos brandos costumes."
Rita Maria, no Boas Intenções

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Lamento informar

Esta iniciativa pode ser realmente uma boa ideia. Não se tratando de tomar os contributos como decisões, mas sim como ideias para discussão, o princípio é conhecido há bastante tempo como uma técnica com muito potencial para gerar soluções inovadoras. Se as pessoas que convivem diariamente com os problemas puderem participar, oferecendo a sua experiência e visão de proximidade, às muitas ideias irrealistas poderão corresponder algumas bastante interessantes.

Se o PSD é um partido sem ideias e se desespera por algo a que se agarrar para contrapor ao plano do governo, é uma história completamente diferente.

Na era em que vivemos, com as tecnologias que temos ao nosso dispor, não devemos menosprezar os processos que apelam à participação e envolvimento dos cidadãos e que permitem, de uma forma rápida e pouco dispendiosa, reunir uma quantidade muito considerável de contributos.Passar anos a escrever num blogue e não perceber isto é uma incoerência que me ultrapassa.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Escrúpulos

Por estes dias, assiste-se a uma batalha ideológica épica sobre o modelo de sociedade que vamos ter nos próximos anos. O que começou como um golpe para a desregulação dos mercados, rapidamente se transformou num contra-ataque fortíssimo ao Estado Providência. Da condenação da ganância e da ausência de regras e de escrúpulos passámos à condenação da despesa do Estado, mesmo que muita dessa despesa tenha sido feita para salvar o sistema financeiro e tentar travar um colapso económico. No turbilhão dos acontecimentos, a memória não é a capacidade que mais se destaca. E do triângulo formado entre ganância, desregulação e falta de escrúpulos, parece ser a última aquela a que se devia ter dado mais atenção.

Mitologia da beleza

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Eclipse

As políticas de austeridade propostas pelos paladinos do liberalismo não trarão outra coisa que não um efeito recessivo na economia. Este facto é uma evidência tão forte que não era necessário ver a Irlanda entrar em espiral descendente para o perceber. Mas existem dois aspectos importantíssimos e menos falados que são os efeitos sociais e políticos do liberalismo económico e financeiro.

Quando se facilitam os despedimentos, quando os salários baixos não permitem um nível de vida satisfatório e impedem que os assalariados participem da criação de riqueza na economia, transformando a mobilidade social e económica numa miragem, não se pode esperar um compromisso forte das massas com os projectos políticos. Nestas situações, quando não se tem nada a ganhar e pouco se tem a perder, as fontes de ignição aproximam-se perigosamente do barril de pólvora. Os adeptos do liberalismo económico e financeiro não contam com nada disto. Ou contam, mas optam por resolver estes problemas construindo mais prisões e agravando as penas previstas na lei.

Este liberalismo, tomado por aquilo que nos querem vender, subordina as pessoas aos números, o social e o político ao económico, o económico ao financeiro e a realidade à doutrina. Não garante estabilidade, não garante crescimento e não garante redistribuição da riqueza. Encerra em si os fundamentos para eclipsar em poucos meses o que precisou de 100 anos e duas guerras mundiais para poder ser construído.

Isto pode não ser um regresso

terça-feira, 1 de junho de 2010

Legitimar o lixo

Ainda há quem tenha paciêcia para desmontar os textos de João César das Neves. Ainda há quem tenha paciência para ler o DN. Há gente para tudo. Mas desmontar os textos de JCN, actividade à qual me dediquei vezes mais que suficientes, incorpora um equívoco. JCN não opera no mercado da produção intelectual de textos para o DN. O seu negócio é o do entretenimento puro e simples. Mais não faz, e disso terá toda a consciência, que ninguém duvide, do que ocupar o lugar do número de circo, do maluquinho da aldeia, do bobo da corte. Desmontar os textos de JCN representa, sobretudo, elevá-los a uma categoria da qual a sua substância argumentativa não os torna merecedores e coloca-os num patamar onde obviamente não pertencem.

Os temas de JCN não mudam e o efeito sobre o leitor apenas surge pelo choque. Como a repetição esbate a novidade e instaura a rotina e o desinteresse, torna-se necessário, para continuar a prender leitores, aumentar a parada. O problema é que neste registo a parada só aumenta com uma radicalização permanente das ideias e do discurso. E é esta a principal razão, se não a única, pela qual JCN escreve textos cada vez mais desligados da realidade e do bom senso.

É perfeitamente irrelevante tentar perceber o pseudo-conceito "totalitarismo do orgasmo", cunhado esta segunda-feira. E não vale sequer o esforço de tentar explicar as mil e uma razões que fazem dos textos de JCN um poço de falácias. Existe talvez a responsabilidade de alertar para os perigos de se tomar uma coisa escrita pelo que ela não é, mas isso faz parte do trabalho de educação para a literacia e não precisa certamente dos textos de JCN como ilustração ou case study. Arranjam-se melhores desafios com facilidade.

De facto, o problema dos textos de JCN não reside tanto nas falácias e mentiras que encerram. O maior problema com os textos de JCN é que um jornal que se diz de referência não pode dar-se ao luxo de publicar o lixo do maluquinho da aldeia ou do bobo da corte. Não se empresta legitimidade ao lixo a troco de mais uns exemplares vendidos. Aliás, é muito duvidoso que JCN traga leitores ao DN. A maior parte das pessoas que se dedicam a ler os seus textos fazem-no por curiosidade mórbida e não pelo prazer da leitura ou pelo estímulo intelectual. Se o DN substituir JCN e entregar o seu espaço a alguém que, independentemente de se posicionar à esquerda ou à direita e de ser católico ou ateu, respeite o princípio elementar da honestidade intelectual, todos saem a ganhar.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Ética: modo de não usar

O jornalista que o Público escolheu para comentar o apoio do PS à candidatura presidencial de Manuel Alegre é o mesmo homem que os assessores de Cavaco usaram para plantar o caso das escutas em Belém. O Público, após José Manuel Fernandes, continua a não querer perceber que para ser respeitado tem que se dar ao respeito.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Esclarecimento

Eu se não apareço por aqui com mais frequência é porque ando demasiado ocupado a tentar impedir que o país vá pelo cano.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Santa ignorância

Um texto escrito por uma pessoa que não percebe nada do que está a dizer.

Outro texto escrito por uma pessoa que não percebe nada do que está a dizer.

Frasquilhices

Ficámos a saber que o BES emprega um funcionário com um sentido patriótico muito apurado. Miguel Frasquilho coloca o interesse patriótico à frente de tudo o resto e não hesita em fornecer informações adulteradas em nome da instituição para a qual trabalha de forma a não prejudicar o fluxo de investimentos em solo português. Isto porque as convicções de Miguel Frasquilho são, como ele disse, as que expressa como deputado na AR, que se afastam diametralmente do que subscreveu no BES. Aguarda-se para breve o mais que justo inquérito disciplinar promovido pela entidade patronal.

A realidade será, obviamente, outra. O BES não vai preocupar-se em apurar a fiabilidade das informações assinadas por Frasquilho - os patrões de Frasquilho terão as informações e garantias necessárias para aferir que não são eles que estão a ser enganados. OS eleitores, pelo seu lado, desconfiam bem que não deve ser nos trabalhos que assina pelo BES, e pelos quais aufere o seu vencimento, que Frasquilho mente. E, não podendo proceder a inquéritos, não deixam de ter nas suas mãos a sanção disciplinar adequada sempre e de cada vez que Miguel Frasquilho se apresente a votos.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Cavadela, minhoca

Chamar discurso às verbalizações de Cavaco é um manifesto exagero. A propósito da promulgação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, o actual inquilino de Belém presenteou-nos com mais um hino à ausência de discernimento e de cultura, actividade na qual é prolífico como em nenhuma outra.

Hoje

Hoje há portugueses com muito boas razões para se sentirem felizes. É um dia bom.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Fórmula de sucesso

Para alguns especialistas de café, a solução milagrosa para os males do país passa sempre pela redução de salários. O Estado gasta muito? Corta-se nos salários. O país não é economicamente competitivo? Corta-se nos salários. Era importante que alguém explicasse devagarinho a estas pessoas que, se a ideia é concorrer pela óptica dos salários baixos, é preciso reduzir até aos níveis pagos na Índia e na China ou, para ficarmos mais perto, na Europa de Leste. Aí sim, teríamos empresas verdadeiramente competitivas que comercializariam produtos e serviços que as famílias não teriam dinheiro para comprar. Um sucesso...

O alvo

Existe uma grande diferença entre reconhecer que o Estado gasta muito dinheiro com as remunerações dos seus funcionários e, dessa constatação, concluir que o Estado gasta demasiado dinheiro com remunerações. Portugal não é um país de salários elevados para o trabalhador médio. Aliás, onde o país se destaca com remunerações acima da média europeia é nos altos cargos dirigentes e nos altos cargos de gestão. É verdade que o vencimento médio dos funcionários públicos é superior ao vencimento médio nacional, mas é preciso ter em conta que o salário médio nacional faz corar de vergonha qualquer cidadão da Europa central. Para se aceitar que o Estado gasta demasiado dinheiro com remunerações torna-se necessário que fique demonstrado que paga demasiado, ou que paga a demasiados, e que poderia fazer o mesmo, com a mesma eficácia, por menos dinheiro. Lamentavelmente para os arautos do corte a direito na função pública, um funcionalismo público bem pago e qualificado sempre foi um dos sinais de um Estado forte e desenvolvido. Ou, vistas bem as coisas, talvez seja precisamente esse o alvo a atacar.

Embirrar

Há quem embirre com a Administração Pública e com os seus funcionários. E há quem leve essa embirração a níveis irracionais. Só assim se entende que se defenda que os funcionários públicos são as únicas pessoas na Europa que "vivem à margem da crise que varre o país e a Europa". Isto seria verdade se os funcionários públicos não descontassem para o IRS, como toda a gente, e não fossem também eles afectados pelas alterações anunciadas ontem. As medidas anunciadas por Sócrates são duríssimas, injustas e, até certo ponto, eventualmente contraproducentes. Mas, tirando as PME, tocam a quase todos. Reduzir os salários da função pública prejudicaria um único grupo de profissionais, sem quaisquer critérios de rigor e justiça social.

Não perceber

O que Mário Soares disse ao El País foi que a melhor arma para combater o terrorismo é o humanismo e o diálogo possível. Ou seja, uma política externa que respeite a dignidade do ser humano e os seus direitos e um diálogo com os sectores sociais e políticos como forma de diminuir ou erradicar as bases de apoio popular do terrorismo. Não falou em dialogar com terroristas, muito menos em negociar o que quer que seja. Pode ser que o Jorge Costa não perceba a língua dos nossos vizinhos. Ou pode ser que, simplesmente, não perceba.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Para começo de discussão

Dois posts absolutamente imperdíveis sobre o 1º de Maio em Berlim:

Notícias ao fim da tarde

Ontem em Berlim

Às perguntas que a Helena já levantou, eu juntaria mais duas. Deve a democracia acolher no seu seio as mais reaccionárias e violentas forças anti-democráticas? Devem a cidade de Berlim, a Alemanha e a Europa assistir impávidas enquanto o neo-nazismo se passeia pelas suas ruas?