quinta-feira, 19 de maio de 2011
Desporto rei
Ontem à noite, dois clubes regionais de um país periférico e falido jogaram entre si uma partida de futebol na capital de outro país periférico e falido. O cenário alternativo seria um jogo entre o Villareal e o Benfica. O Villareal é um clube de uma cidade que ninguém sabe bem onde situar num mapa e o Benfica é um clube que perde com o Braga. O Braga, por amor de Deus, é um clube que perde com o Sporting (o Sporting!). Ao Sporting até o Benfica, a jogar com dez, consegue ganhar por dois a zero. Para a desgraça ser completa, só falta o Barcelona, um clube que vem de uma região com um número de habitantes quase igual ao número de adeptos benfiquistas, ganhar novamente a Liga dos Campeões.
sábado, 14 de maio de 2011
Já cá faltava
Agora, para explicar os maus resultados nas sondagens, é a estratégia de comunicação que não tem funcionado. É uma agradável ironia que uma apreciação desta natureza venha do incontinente verbal Eduardo Catroga.
sexta-feira, 13 de maio de 2011
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Crescimento sustentável
Portanto, ficámos a saber que com o PSD no governo vamos ser brindados com uma Segurança Social mais débil e descapitalizada (redução da TSU) e com um cabaz de compras mais caro (alterações no IVA). Cavaco já disse que assina em baixo. Dizem que assim é que nos tornamos competitivos e crescemos. O eleitor deve recordar-se disso quando o subsídio de desemprego ou a reforma não lhe chegarem para as compras da mercearia.
Crítica ao bota-abaixismo
Algumas pessoas, provavelmente iludidas pela duração do filme Portugalnomics, não perceberam que estavam a olhar para uma publicidade longa e julgaram estar a olhar para um documentário curto. Enganaram-se. O ritmo, a linguagem e o estilo pertencem à publicidade e é a partir daqui que devemos encarar aqueles já célebres seis minutos e meio.
Do que tenho lido, as críticas passam por dois pontos principais. O primeiro é o dos erros factuais. Evidentemente, os erros históricos merecem reparo. Por um lado, mostram que ninguém se deu ao trabalho de validar a informação ali reproduzida ou que, se isso foi feito, escolheram mal as pessoas para o fazer. Por outro, a colecção de erros transporta o buzz mediático nas redes sociais para um aspecto que passa ao lado do objectivo primeiro que é o de ser um filme motivacional. Há muitas pessoas que encararam este filme como uma mensagem aos finlandeses. Novamente, estão enganados. É um filme promocional upbeat sobretudo para consumo interno.
A segunda crítica apontada ao filme é a sua suposta mensagem nacionalista. Só quem não percebe, ou teima em não perceber, o registo publicitário do filme é que pode tirar uma conclusão destas. No fundo, o que estão a fazer não é muito diferente de, perante um anúncio de uma marca de automóveis, dizer que a mensagem está enviesada. É claro que está. É publicidade e é suposto estar.
O problema que se levanta aqui é o das narrativas. Parece haver demasiadas pessoas habituadas a construir ou consumir narrativas de sinal negativo sobre Portugal. Quando alguém propõe uma narrativa diferente, mesmo que enquadrada num registo claramente promocional, os anti-corpos manifestam-se. Numa página do Facebook, alguém pergunta o que quer dizer que fomos nós que inventámos o pastel de nata, porque, obviamente, cada país inventa a sua própria pastelaria. Ora, se não me escapa nada, dizer que fomos nós que inventámos o pastel de nata quer apenas dizer que fomos nós que inventámos o pastel de nata. Outros povos terão inventado outras iguarias. Nós temos esta, melhor do que algumas, pior do que outras, mas, de uma forma geral, bastante apreciada por nativos e turistas. Frisar um leque de atributos eventualmente positivos – supostos feitos históricos, pretensos vedetismos internacionais, putativos traços culturais idiossincráticos – num registo desta natureza não pode ser equiparado a um exercício de chauvinismo. É apenas um dos lados do que pode ser dito. O facto de haver o reverso da medalha e de o mesmo não ter sido referido apenas seria relevante se estivéssemos a falar de um conteúdo com outras pretensões e com outro enquadramento, em que o rigor, a objectividade e o distanciamento constituíssem factores fundamentais da legitimação do discurso produzido. Não é esse o caso.
Em termos pessoais, não me podiam ser mais indiferentes os conceitos de nacionalismo ou patriotismo. Têm uma dimensão histórica e política que não pode ser ignorada, mas em momento algum senti que os termos nacionalista ou patriota fossem úteis para explicar a minha forma de estar. Nasci e cresci em Lisboa, frequentei o sistema de ensino português, recorro ao sistema de saúde português, sou contribuinte e beneficiário do Estado Providência da República Portuguesa. Tudo isto faz de mim português. Independentemente dos locais para onde o futuro me leve, este passado e presente estarão indelevelmente marcados na minha experiência e na minha forma de estar. Não tenho especial orgulho ou vergonha das acções e processos pelos quais não sou responsável directo. Parece-me estranho que a minha auto-representação passe por identificações com um determinado território geográfico ou com uma determinada entidade político-administrativa. Estou consciente de que sou sensível às suas influências, mas não considero que façam de mim uma tipificação. Interessa-me o bem-estar das entidades políticas que me representam, porque acredito que não se constrói uma sociedade justa e próspera sem esse bem-estar. É-me irrelevante o nível da entidade política (local, nacional, supra-nacional), tal como me é irrelevante a divisão territorial e o nome que decidimos dar a tudo isto. Interessa-me o bem-estar e a prosperidade de Lisboa, de Portugal e da União Europeia, independentemente de me sentir mais ou menos lisboeta, português ou europeu, apenas porque são os locais político-administrativos que me representam. Se um dia o meu percurso me levar a residir e trabalhar noutras realidades geográficas e políticas, embora mantendo os laços afectivos aos locais de origem e à qualidade de vida dos que cá estão, o meu compromisso mais imediato e mais empenhado será, na medida em que tal seja possível, com as novas entidades político-administrativas de referência. Não é preciso ser nacionalista ou patriota para estar interessado e empenhado no sucesso de uma determinada sociedade.
Entre as pérolas que enchem os blogues e o Facebook, pode ler-se de tudo. Há quem tenha vergonha de um filme destes, há quem tenha vergonha de viver num país que faz um filme destes e há quem pareça achar que somos todos parvos, tontos, bacocos, paroquiais, provincianos e perigosos nacionalistas. Não haja dúvida que é conceder uma dimensão a um produto que seguramente ultrapassa os mais alucinados sonhos dos seus criadores. Por norma, devem alimentar-se reservas perante consensos hegemónicos. Mas também merecem toda a desconfiança as teorias que postulam a iliteracia geral, de onde apenas se salva – surpresa! - o autor das iluminadas linhas que nos explicariam, se estivesse ao nosso alcance a capacidade de compreender o seu brilhantismo, como somos simplórios. Ironicamente, quem decreta a ignorância alheia não percebe que incorre na mesmíssima paroquialidade que tanto critica. É por aqui que alcançam a sua realização intelectual e mediática? É para o lado em que durmo melhor.
Existe ainda uma terceira crítica apontada ao filme das Conferências do Estoril e que é a de se estar a fazer chantagem emocional sobre os finlandeses: ajudem-nos, porque nós também vos ajudámos em 1940. Novamente, recordemos que o filme é manifestamente para consumo interno e que não serve para pedir nada a ninguém. Podemos assumir que o final do spot promocional instrumentaliza o valor da solidariedade e que tenta impor-se a uma hipotética consciência colectiva finlandesa. Ou podemos assumir que tenta apenas promover a ideia de que os portugueses foram e serão solidários quando necessário. Não sei quantas pessoas contribuíram nem com o que contribuíram em 1940 para o auxílio à Finlândia. Naturalmente, não se pode encarar aquela operação sem a contextualizar no regime político salazarista e nas suas relações com os fascismos europeus. Mas estou disposto a dar como garantido que a maior parte das pessoas terá contribuído sobretudo por generosidade e solidariedade. Da mesma forma que contribuímos em 2010 para as vítimas do temporal na Madeira, independentemente de uma parte dos nossos impostos ser transferida anualmente para o arquipélago ou do que possamos sentir em relação ao governo regional. Acredito que, até existirem razões em sentido contrário, devemos conceder o benefício da dúvida ao julgar as intenções de terceiros e que devemos ter sempre presente que todos somos o outro de alguém.
Para todos os que se revêem no discurso sobranceiro do bota-abaixismo – o Estado não funciona, os políticos são todos corruptos, o povo é estúpido, será sempre assim e não há salvação possível –, gostaria de terminar dando-lhes razão num aspecto: o país não os merece.
Do que tenho lido, as críticas passam por dois pontos principais. O primeiro é o dos erros factuais. Evidentemente, os erros históricos merecem reparo. Por um lado, mostram que ninguém se deu ao trabalho de validar a informação ali reproduzida ou que, se isso foi feito, escolheram mal as pessoas para o fazer. Por outro, a colecção de erros transporta o buzz mediático nas redes sociais para um aspecto que passa ao lado do objectivo primeiro que é o de ser um filme motivacional. Há muitas pessoas que encararam este filme como uma mensagem aos finlandeses. Novamente, estão enganados. É um filme promocional upbeat sobretudo para consumo interno.
A segunda crítica apontada ao filme é a sua suposta mensagem nacionalista. Só quem não percebe, ou teima em não perceber, o registo publicitário do filme é que pode tirar uma conclusão destas. No fundo, o que estão a fazer não é muito diferente de, perante um anúncio de uma marca de automóveis, dizer que a mensagem está enviesada. É claro que está. É publicidade e é suposto estar.
O problema que se levanta aqui é o das narrativas. Parece haver demasiadas pessoas habituadas a construir ou consumir narrativas de sinal negativo sobre Portugal. Quando alguém propõe uma narrativa diferente, mesmo que enquadrada num registo claramente promocional, os anti-corpos manifestam-se. Numa página do Facebook, alguém pergunta o que quer dizer que fomos nós que inventámos o pastel de nata, porque, obviamente, cada país inventa a sua própria pastelaria. Ora, se não me escapa nada, dizer que fomos nós que inventámos o pastel de nata quer apenas dizer que fomos nós que inventámos o pastel de nata. Outros povos terão inventado outras iguarias. Nós temos esta, melhor do que algumas, pior do que outras, mas, de uma forma geral, bastante apreciada por nativos e turistas. Frisar um leque de atributos eventualmente positivos – supostos feitos históricos, pretensos vedetismos internacionais, putativos traços culturais idiossincráticos – num registo desta natureza não pode ser equiparado a um exercício de chauvinismo. É apenas um dos lados do que pode ser dito. O facto de haver o reverso da medalha e de o mesmo não ter sido referido apenas seria relevante se estivéssemos a falar de um conteúdo com outras pretensões e com outro enquadramento, em que o rigor, a objectividade e o distanciamento constituíssem factores fundamentais da legitimação do discurso produzido. Não é esse o caso.
Em termos pessoais, não me podiam ser mais indiferentes os conceitos de nacionalismo ou patriotismo. Têm uma dimensão histórica e política que não pode ser ignorada, mas em momento algum senti que os termos nacionalista ou patriota fossem úteis para explicar a minha forma de estar. Nasci e cresci em Lisboa, frequentei o sistema de ensino português, recorro ao sistema de saúde português, sou contribuinte e beneficiário do Estado Providência da República Portuguesa. Tudo isto faz de mim português. Independentemente dos locais para onde o futuro me leve, este passado e presente estarão indelevelmente marcados na minha experiência e na minha forma de estar. Não tenho especial orgulho ou vergonha das acções e processos pelos quais não sou responsável directo. Parece-me estranho que a minha auto-representação passe por identificações com um determinado território geográfico ou com uma determinada entidade político-administrativa. Estou consciente de que sou sensível às suas influências, mas não considero que façam de mim uma tipificação. Interessa-me o bem-estar das entidades políticas que me representam, porque acredito que não se constrói uma sociedade justa e próspera sem esse bem-estar. É-me irrelevante o nível da entidade política (local, nacional, supra-nacional), tal como me é irrelevante a divisão territorial e o nome que decidimos dar a tudo isto. Interessa-me o bem-estar e a prosperidade de Lisboa, de Portugal e da União Europeia, independentemente de me sentir mais ou menos lisboeta, português ou europeu, apenas porque são os locais político-administrativos que me representam. Se um dia o meu percurso me levar a residir e trabalhar noutras realidades geográficas e políticas, embora mantendo os laços afectivos aos locais de origem e à qualidade de vida dos que cá estão, o meu compromisso mais imediato e mais empenhado será, na medida em que tal seja possível, com as novas entidades político-administrativas de referência. Não é preciso ser nacionalista ou patriota para estar interessado e empenhado no sucesso de uma determinada sociedade.
Entre as pérolas que enchem os blogues e o Facebook, pode ler-se de tudo. Há quem tenha vergonha de um filme destes, há quem tenha vergonha de viver num país que faz um filme destes e há quem pareça achar que somos todos parvos, tontos, bacocos, paroquiais, provincianos e perigosos nacionalistas. Não haja dúvida que é conceder uma dimensão a um produto que seguramente ultrapassa os mais alucinados sonhos dos seus criadores. Por norma, devem alimentar-se reservas perante consensos hegemónicos. Mas também merecem toda a desconfiança as teorias que postulam a iliteracia geral, de onde apenas se salva – surpresa! - o autor das iluminadas linhas que nos explicariam, se estivesse ao nosso alcance a capacidade de compreender o seu brilhantismo, como somos simplórios. Ironicamente, quem decreta a ignorância alheia não percebe que incorre na mesmíssima paroquialidade que tanto critica. É por aqui que alcançam a sua realização intelectual e mediática? É para o lado em que durmo melhor.
Existe ainda uma terceira crítica apontada ao filme das Conferências do Estoril e que é a de se estar a fazer chantagem emocional sobre os finlandeses: ajudem-nos, porque nós também vos ajudámos em 1940. Novamente, recordemos que o filme é manifestamente para consumo interno e que não serve para pedir nada a ninguém. Podemos assumir que o final do spot promocional instrumentaliza o valor da solidariedade e que tenta impor-se a uma hipotética consciência colectiva finlandesa. Ou podemos assumir que tenta apenas promover a ideia de que os portugueses foram e serão solidários quando necessário. Não sei quantas pessoas contribuíram nem com o que contribuíram em 1940 para o auxílio à Finlândia. Naturalmente, não se pode encarar aquela operação sem a contextualizar no regime político salazarista e nas suas relações com os fascismos europeus. Mas estou disposto a dar como garantido que a maior parte das pessoas terá contribuído sobretudo por generosidade e solidariedade. Da mesma forma que contribuímos em 2010 para as vítimas do temporal na Madeira, independentemente de uma parte dos nossos impostos ser transferida anualmente para o arquipélago ou do que possamos sentir em relação ao governo regional. Acredito que, até existirem razões em sentido contrário, devemos conceder o benefício da dúvida ao julgar as intenções de terceiros e que devemos ter sempre presente que todos somos o outro de alguém.
Para todos os que se revêem no discurso sobranceiro do bota-abaixismo – o Estado não funciona, os políticos são todos corruptos, o povo é estúpido, será sempre assim e não há salvação possível –, gostaria de terminar dando-lhes razão num aspecto: o país não os merece.
domingo, 8 de maio de 2011
Equívocos
Andam aí umas reacções algo adversas ao filme produzido para o encerramento das Conferências do Estoril. Aparentemente, há quem não perceba a diferença entre um spot promocional e um compêndio de história portuguesa.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Novas tendências nos media
Pela primeira vez em 20 anos, o número de lares nos EUA com aparelho de televisão diminuiu. Os dados da Nielsen Company apontam dois grupos relevantes para este facto: os mais pobres e os mais jovens. Embora a taxa de lares com televisão se mantenha próxima dos 100%, o interessante é saber se estamos a assistir a apenas uma flutuação natural ou ao início de uma nova tendência.
A redução de aparelhos de TV em casa dos mais pobres tem uma explicação óbvia que passa pela crise económica. A preocupação, neste caso, é que, tratando-se dos mais desfavorecidos, estamos a falar de pessoas sem a possibilidade de substituir a TV por outros meios de informação. A crise económica cria assim uma nova classe de desinformados. Embora ainda muito marginal, um acontecimento desta natureza deveria ser alvo de reflexão em qualquer sociedade democrática.
Por outro lado, no caso dos mais jovens a situação é bastante diferente. Aqui trata-se essencialmente de uma opção voluntária por parte de quem estará mais habituado a sentar-se em frente ao computador do que em frente à televisão. De tal forma que a Nielsen pondera alterar as suas metodologias de trabalho para reflectir estas novas realidades. A pergunta que fica é: se a tecnologia permite dispor de internet na televisão e de televisão na internet, como é que se distingue a televisão da internet?
A redução de aparelhos de TV em casa dos mais pobres tem uma explicação óbvia que passa pela crise económica. A preocupação, neste caso, é que, tratando-se dos mais desfavorecidos, estamos a falar de pessoas sem a possibilidade de substituir a TV por outros meios de informação. A crise económica cria assim uma nova classe de desinformados. Embora ainda muito marginal, um acontecimento desta natureza deveria ser alvo de reflexão em qualquer sociedade democrática.
Por outro lado, no caso dos mais jovens a situação é bastante diferente. Aqui trata-se essencialmente de uma opção voluntária por parte de quem estará mais habituado a sentar-se em frente ao computador do que em frente à televisão. De tal forma que a Nielsen pondera alterar as suas metodologias de trabalho para reflectir estas novas realidades. A pergunta que fica é: se a tecnologia permite dispor de internet na televisão e de televisão na internet, como é que se distingue a televisão da internet?
Elogio merecido
Por aqui também se elogia o PSD quando este mostra mérito no que faz. Sejamos francos, "está na hora de mudar o Passos Coelho" é um verso que fica no ouvido.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Contas simples
Se o governo e o PS não estiverem a dormir - e não devem estar - não será muito difícil fazer passar a ideia, junto da opinião pública, de que o pedido de ajuda externa apenas se tornou necessário depois do chumbo do PEC ter atirado os juros da dívida portuguesa para níveis incomportáveis. Independentemente de como uma pessoa encare o PEC IV ou as medidas preconizadas pelo acordo com FMI, quanto mais as segundas se aproximarem do primeiro maior será a dimensão da inépcia política do PSD percebida pelo eleitorado. É muito pouco provável que as próximas sondagens não apontem uma nova descida nas intenções de voto para os lados da Lapa.
terça-feira, 3 de maio de 2011
Uma perguntinha
O governo, o FMI, o BCE e a CE chegaram a acordo sobre as condições para o empréstimo financeiro. O PSD já pode fazer o favor de dizer quando é que pensa poder apresentar um programa eleitoral?
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Memória
Berlim está cheia de evocações do Holocausto. Uma delas é um Memorial que ocupa um quarteirão inteiro, no centro da cidade.

Mas são uns quadrados com menos de um palmo de lado que doem mais fundo.

A Helena Araújo, num texto tão belo quanto triste, capta com a sua sensibilidade única o retrato de uma sociedade que se recusa a perder a memória.
Mas são uns quadrados com menos de um palmo de lado que doem mais fundo.
A Helena Araújo, num texto tão belo quanto triste, capta com a sua sensibilidade única o retrato de uma sociedade que se recusa a perder a memória.
Uma rede de um
Os algoritmos fazem da internet uma experiência cada vez mais personalizada. À partida, parece uma excelente ideia. Mas...
Via Ponto Media
Via Ponto Media
domingo, 1 de maio de 2011
Menos Sociedade
Há tanta gente disposta a dar ideias para o programa eleitoral do PSD, partindo do princípio de que vai ser apresentado algum, que se torna difícil acompanhar as movimentações. Uns indivíduos que se reúnem debaixo da chancela "Mais Sociedade" avançaram com a ideia de descontar nas reformas o subsídio recebido pelos trabalhadores em caso de desemprego. Para além do facto óbvio de penalizar duplamente quem trabalha e paga impostos e taxas sociais, deve salientar-se a estranha justificação para esta proposta. Segundo os seus autores, desta forma estar-se-ia a incentivar um rápido regresso ao mercado de trabalho. Não deixa de ser curiosa a forma como esta direita aninhada no PSD pensa a natureza humana. Para eles, o ser humano é naturalmente preguiçoso e trapaceiro. Como o enviesamento ideológico subjacente não se encontra suportado por nenhuma evidência empírica, talvez seja de questionar em que exemplos se apoiam estes senhores. E sabendo o que se sabe hoje sobre o sector financeiro, em geral, sobre o BPN, o BPP e o BCP, em particular, e sobre as práticas de gestão que levaram a economia mundial ao colapso, talvez a resposta seja óbvia.
A Feira do Livro, a cada ano que passa, está pior porque...
a) o mercado editorial português, a cada ano que passa, também piora.
b) a APEL, a cada ano que passa, parece que desaprende.
c) a cada ano que passa, eu vou ficando mais velho.
b) a APEL, a cada ano que passa, parece que desaprende.
c) a cada ano que passa, eu vou ficando mais velho.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Palavra mágica
Da próxima vez que um político do PSD ou do CDS venha falar de despesismo do Estado ou insinuar que é preciso baixar os salários dos funcionários públicos e as prestações sociais para equilibrar as contas públicas, o eleitor sensato e informado deve manter no seu pensamento uma palavrinha mágica: submarinos.
Lideranças
A extrema-direita finlandesa acaba de tornar-se o terceiro partido mais votado nas eleições legislativas realizadas este domingo. Os resultados apurados até ao momento colocam os extremistas a pouco mais de 1% do partido mais votado e com apenas menos 5 deputados num total de 200.
A Finlândia está longe de ser um caso isolado. Em Itália, as coligações de Berlusconi há muito que acolhem a extrema-direita. Na Áustria, o partido de Jörg Haider também já integrou um executivo. Em França, as intenções de voto atribuídas pelas sondagens a Marie Le Pen são assustadoras e em Inglaterra, nas últimas eleições, os nacionalistas cativaram atenção mediática como nunca antes tinha sido visto. A UE, incapaz de reagir convenientemente à crise económica e financeira, tem um monstro a crescer no seu seio.
É muito difícil acreditar que serão políticos como Barroso, Merkel e Sarkozy que conseguirão contornar esta ameaça. Nenhum tem a visão, a coragem e o carisma para rechaçar os fantasmas que se erguem. E, contudo, qualquer um deles mantém-se firme na rota para o abismo. A Europa atravessa tempos agitados e perigosos e o seu maior problema não é não ter quem a lidere, mas ter quem ache que a sabe liderar.
A Finlândia está longe de ser um caso isolado. Em Itália, as coligações de Berlusconi há muito que acolhem a extrema-direita. Na Áustria, o partido de Jörg Haider também já integrou um executivo. Em França, as intenções de voto atribuídas pelas sondagens a Marie Le Pen são assustadoras e em Inglaterra, nas últimas eleições, os nacionalistas cativaram atenção mediática como nunca antes tinha sido visto. A UE, incapaz de reagir convenientemente à crise económica e financeira, tem um monstro a crescer no seu seio.
É muito difícil acreditar que serão políticos como Barroso, Merkel e Sarkozy que conseguirão contornar esta ameaça. Nenhum tem a visão, a coragem e o carisma para rechaçar os fantasmas que se erguem. E, contudo, qualquer um deles mantém-se firme na rota para o abismo. A Europa atravessa tempos agitados e perigosos e o seu maior problema não é não ter quem a lidere, mas ter quem ache que a sabe liderar.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Algo muito errado
Começa a ser notório que algo de muito errado se passa com os argumentos de Passos Coelho para ter chumbado o PEC IV. O líder do PSD já apresentou várias razões para tal, todas diferentes e muitas contraditórias. Confirmando-se que afinal Passos Coelho e Sócrates reuniram para discutir a apresentação das linhas orientadoras do PEC IV à UE, cai por terra mais um dos motivos anteriormente invocados.
Ao contrário do que o líder do PSD e a sua direcção repetiram incessantemente nestas semanas, Passos Coelho tinha conhecimento do pacote de medidas proposto pelo governo. Existem aqui três problemas. O primeiro, obviamente, é a mentira que o PSD quis fazer passar como trunfo eleitoral. O segundo é a quantidade de vezes que o PSD de Passos Coelho repetiu a mentira num tão curto intervalo de tempo. O terceiro problema é que não se imagina como pretendia o PSD não ser apanhado neste ardil.
Os dois primeiros, apontam para o facto de, tal como Graeme Souness dizia de Vale e Azevedo, a direcção do PSD ser capaz de olhar os portugueses nos olhos e lhes mentir sucessivamente. O terceiro demonstra que nem sequer isso são capazes de fazer com competência. Quase um mês depois de ter tirado o tapete ao país, não surpreende que o PSD não tenha sido capaz de apresentar uma única ideia sobre o que vai fazer se chegar ao governo. Não é estratégia política, é uma limitação cognitiva.
Ao contrário do que o líder do PSD e a sua direcção repetiram incessantemente nestas semanas, Passos Coelho tinha conhecimento do pacote de medidas proposto pelo governo. Existem aqui três problemas. O primeiro, obviamente, é a mentira que o PSD quis fazer passar como trunfo eleitoral. O segundo é a quantidade de vezes que o PSD de Passos Coelho repetiu a mentira num tão curto intervalo de tempo. O terceiro problema é que não se imagina como pretendia o PSD não ser apanhado neste ardil.
Os dois primeiros, apontam para o facto de, tal como Graeme Souness dizia de Vale e Azevedo, a direcção do PSD ser capaz de olhar os portugueses nos olhos e lhes mentir sucessivamente. O terceiro demonstra que nem sequer isso são capazes de fazer com competência. Quase um mês depois de ter tirado o tapete ao país, não surpreende que o PSD não tenha sido capaz de apresentar uma única ideia sobre o que vai fazer se chegar ao governo. Não é estratégia política, é uma limitação cognitiva.
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