sexta-feira, 25 de março de 2011

Dúvidas existenciais

Manuela Ferreira Leite marcou o dia do debate parlamentar que levou ao chumbo do PEC IV por ter declarado que não discutia medidas concretas por não querer "entrar em politiquices". Quem anda há décadas na política, tendo passado por cargos executivos, e compara o discurso sobre medidas concretas a politiquices, anda na política a fazer e a falar de quê?

Um aspecto a ter em consideração nas próximas eleições autárquicas

Japão reconstrói rodovia destruída em seis dias

quinta-feira, 24 de março de 2011

Quinze dias passam num instante

"Foi o primeiro líder político a acelerar uma crise política que estava ainda no horizonte: há 15 dias, Paulo Portas disse que avançaria com um projecto de resolução contra o PEC (...)."

Público, edição impressa de 24 de Março


Ao certo, de quanto tempo precisava Cavaco Silva para não ser apanhado de surpresa?

Broad coalition for change

Uma coligação tão grande que inclui o passismo e o cavaquismo.

Gostar de blogues

"Incrivelmente, a apresentação do PEC 4, o debate que se seguiu e o desfecho de ontem ocorreram sem que tivesse sido, que eu saiba, conduzida uma única sondagem sobre o tema para divulgação pública. Pelos vistos, as empresas e os órgãos de comunicação social andaram entretidos, respectivamente, a fazer e encomendar sondagens sobre o Sporting. São opções."

Pedro Magalhães, no Margens de Erro.

Bios Politikos

Resumidamente: é isto.

domingo, 31 de outubro de 2010

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Gostar de blogues

Apesar de citar apenas as respectivas punch lines, obviamente, para ler tudo:

"O mais curioso é que hoje li blogues portugueses onde se falava sobre a Alemanha e os alemães no mesmo tom em que o Sarrazin fala contra os turcos e os árabes..."
Helena Araújo, no 2 Dedos de Conversa

"Por estranho que pareça, aqui instalada no epicentro da xenofobia, não tenho nenhuma vontade de voltar para o vosso paraíso dos brandos costumes."
Rita Maria, no Boas Intenções

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Lamento informar

Esta iniciativa pode ser realmente uma boa ideia. Não se tratando de tomar os contributos como decisões, mas sim como ideias para discussão, o princípio é conhecido há bastante tempo como uma técnica com muito potencial para gerar soluções inovadoras. Se as pessoas que convivem diariamente com os problemas puderem participar, oferecendo a sua experiência e visão de proximidade, às muitas ideias irrealistas poderão corresponder algumas bastante interessantes.

Se o PSD é um partido sem ideias e se desespera por algo a que se agarrar para contrapor ao plano do governo, é uma história completamente diferente.

Na era em que vivemos, com as tecnologias que temos ao nosso dispor, não devemos menosprezar os processos que apelam à participação e envolvimento dos cidadãos e que permitem, de uma forma rápida e pouco dispendiosa, reunir uma quantidade muito considerável de contributos.Passar anos a escrever num blogue e não perceber isto é uma incoerência que me ultrapassa.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Escrúpulos

Por estes dias, assiste-se a uma batalha ideológica épica sobre o modelo de sociedade que vamos ter nos próximos anos. O que começou como um golpe para a desregulação dos mercados, rapidamente se transformou num contra-ataque fortíssimo ao Estado Providência. Da condenação da ganância e da ausência de regras e de escrúpulos passámos à condenação da despesa do Estado, mesmo que muita dessa despesa tenha sido feita para salvar o sistema financeiro e tentar travar um colapso económico. No turbilhão dos acontecimentos, a memória não é a capacidade que mais se destaca. E do triângulo formado entre ganância, desregulação e falta de escrúpulos, parece ser a última aquela a que se devia ter dado mais atenção.

Mitologia da beleza

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Eclipse

As políticas de austeridade propostas pelos paladinos do liberalismo não trarão outra coisa que não um efeito recessivo na economia. Este facto é uma evidência tão forte que não era necessário ver a Irlanda entrar em espiral descendente para o perceber. Mas existem dois aspectos importantíssimos e menos falados que são os efeitos sociais e políticos do liberalismo económico e financeiro.

Quando se facilitam os despedimentos, quando os salários baixos não permitem um nível de vida satisfatório e impedem que os assalariados participem da criação de riqueza na economia, transformando a mobilidade social e económica numa miragem, não se pode esperar um compromisso forte das massas com os projectos políticos. Nestas situações, quando não se tem nada a ganhar e pouco se tem a perder, as fontes de ignição aproximam-se perigosamente do barril de pólvora. Os adeptos do liberalismo económico e financeiro não contam com nada disto. Ou contam, mas optam por resolver estes problemas construindo mais prisões e agravando as penas previstas na lei.

Este liberalismo, tomado por aquilo que nos querem vender, subordina as pessoas aos números, o social e o político ao económico, o económico ao financeiro e a realidade à doutrina. Não garante estabilidade, não garante crescimento e não garante redistribuição da riqueza. Encerra em si os fundamentos para eclipsar em poucos meses o que precisou de 100 anos e duas guerras mundiais para poder ser construído.

Isto pode não ser um regresso

terça-feira, 1 de junho de 2010

Legitimar o lixo

Ainda há quem tenha paciêcia para desmontar os textos de João César das Neves. Ainda há quem tenha paciência para ler o DN. Há gente para tudo. Mas desmontar os textos de JCN, actividade à qual me dediquei vezes mais que suficientes, incorpora um equívoco. JCN não opera no mercado da produção intelectual de textos para o DN. O seu negócio é o do entretenimento puro e simples. Mais não faz, e disso terá toda a consciência, que ninguém duvide, do que ocupar o lugar do número de circo, do maluquinho da aldeia, do bobo da corte. Desmontar os textos de JCN representa, sobretudo, elevá-los a uma categoria da qual a sua substância argumentativa não os torna merecedores e coloca-os num patamar onde obviamente não pertencem.

Os temas de JCN não mudam e o efeito sobre o leitor apenas surge pelo choque. Como a repetição esbate a novidade e instaura a rotina e o desinteresse, torna-se necessário, para continuar a prender leitores, aumentar a parada. O problema é que neste registo a parada só aumenta com uma radicalização permanente das ideias e do discurso. E é esta a principal razão, se não a única, pela qual JCN escreve textos cada vez mais desligados da realidade e do bom senso.

É perfeitamente irrelevante tentar perceber o pseudo-conceito "totalitarismo do orgasmo", cunhado esta segunda-feira. E não vale sequer o esforço de tentar explicar as mil e uma razões que fazem dos textos de JCN um poço de falácias. Existe talvez a responsabilidade de alertar para os perigos de se tomar uma coisa escrita pelo que ela não é, mas isso faz parte do trabalho de educação para a literacia e não precisa certamente dos textos de JCN como ilustração ou case study. Arranjam-se melhores desafios com facilidade.

De facto, o problema dos textos de JCN não reside tanto nas falácias e mentiras que encerram. O maior problema com os textos de JCN é que um jornal que se diz de referência não pode dar-se ao luxo de publicar o lixo do maluquinho da aldeia ou do bobo da corte. Não se empresta legitimidade ao lixo a troco de mais uns exemplares vendidos. Aliás, é muito duvidoso que JCN traga leitores ao DN. A maior parte das pessoas que se dedicam a ler os seus textos fazem-no por curiosidade mórbida e não pelo prazer da leitura ou pelo estímulo intelectual. Se o DN substituir JCN e entregar o seu espaço a alguém que, independentemente de se posicionar à esquerda ou à direita e de ser católico ou ateu, respeite o princípio elementar da honestidade intelectual, todos saem a ganhar.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Ética: modo de não usar

O jornalista que o Público escolheu para comentar o apoio do PS à candidatura presidencial de Manuel Alegre é o mesmo homem que os assessores de Cavaco usaram para plantar o caso das escutas em Belém. O Público, após José Manuel Fernandes, continua a não querer perceber que para ser respeitado tem que se dar ao respeito.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Esclarecimento

Eu se não apareço por aqui com mais frequência é porque ando demasiado ocupado a tentar impedir que o país vá pelo cano.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Santa ignorância

Um texto escrito por uma pessoa que não percebe nada do que está a dizer.

Outro texto escrito por uma pessoa que não percebe nada do que está a dizer.

Frasquilhices

Ficámos a saber que o BES emprega um funcionário com um sentido patriótico muito apurado. Miguel Frasquilho coloca o interesse patriótico à frente de tudo o resto e não hesita em fornecer informações adulteradas em nome da instituição para a qual trabalha de forma a não prejudicar o fluxo de investimentos em solo português. Isto porque as convicções de Miguel Frasquilho são, como ele disse, as que expressa como deputado na AR, que se afastam diametralmente do que subscreveu no BES. Aguarda-se para breve o mais que justo inquérito disciplinar promovido pela entidade patronal.

A realidade será, obviamente, outra. O BES não vai preocupar-se em apurar a fiabilidade das informações assinadas por Frasquilho - os patrões de Frasquilho terão as informações e garantias necessárias para aferir que não são eles que estão a ser enganados. OS eleitores, pelo seu lado, desconfiam bem que não deve ser nos trabalhos que assina pelo BES, e pelos quais aufere o seu vencimento, que Frasquilho mente. E, não podendo proceder a inquéritos, não deixam de ter nas suas mãos a sanção disciplinar adequada sempre e de cada vez que Miguel Frasquilho se apresente a votos.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Cavadela, minhoca

Chamar discurso às verbalizações de Cavaco é um manifesto exagero. A propósito da promulgação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, o actual inquilino de Belém presenteou-nos com mais um hino à ausência de discernimento e de cultura, actividade na qual é prolífico como em nenhuma outra.

Hoje

Hoje há portugueses com muito boas razões para se sentirem felizes. É um dia bom.